pra mim, amamentar não foi tão fácil assim!

No início de minha formação profissional, fiz estágio numa maternidade e uma das responsabilidades que o setor de psicologia tinha era o incentivo ao aleitamento materno. Durante aqueles anos aprendi muito sobre o tema, sua importância, algumas técnicas e cuidados que garantiam o sucesso da amamentação.

Com o conhecimento técnico e a habilidade adquiridos, antes de ser mãe e durante a gestação, eu acreditava que minha filha seria alimentada exclusivamente com leite materno até os 6 meses, e após esse período manteríamos o aleitamento por um longo tempo.

Minha primeira filha nasceu linda, fofa, super bem e claro que começou a ser amamentada por mim no mesmo dia, tudo como manda o figurino. Era muito tranquilo, ela mamava e dormia sossegadamente, dormia bastante e eu iniciante achava aquilo ótimo, cheguei até a pensar que tinham me enganado e que tudo era tão fácil. Até que uma noite, sua 7ª noite de vida, foi um terror… a criança só chorava e nada a acalmava a não ser mamar, eu a colocava no peito e ela mamava, mamava e dormia, passavam alguns minutos acordava aos berros e voltava a mamar… foi terrível!!!

Por sorte, no dia seguinte tínhamos a primeira consulta com a pediatra e foi aí que comecei a descobrir que não tinham me contado toda a verdade… minha pequena tinha emagrecido muito desde que nasceu e a tal mamoplastia redutora que eu havia feito anos antes (e que muitos me garantiam que não iria interferir) parecia ser a grande complicadora do processo. Depois de várias observações e possibilidades descobrimos que o ideal seria o aleitamento misto. Nossa sorte foi que escolhemos uma pediatra (fantástica!) que respeita genuinamente seus pacientes e pais e que nos acompanhou no processo que foi bastante complexo, porém possível.

A orientação foi que continuasse com a amamentação em intervalos regulares e ao final de cada uma delas oferecesse uma quantidade de fórmula láctea, assim caso a bebê ainda tivesse fome complementaria a mamada.

Nos primeiros dias me senti muito mal com aquela situação, era um combinado de frustração e tristeza por não ser capaz de alimentar minha filha exclusivamente com meu leite e receio de que ela “largasse o peito”.  Depois fui descobrindo que a pediatra tinha razão e que este processo estava fazendo bem pra bebê, pra mim e pra nossa relação.

Alguns diriam que não teria sido necessário oferecer a fórmula láctea, que deveríamos ter insistido em outras possibilidades e que a mamoplastia redutora não é empecilho para o aleitamento exclusivo, e essas pessoas podem até ter razão. Porém conosco foi assim, adotamos o aleitamento misto e o mantivemos por 7 meses e meio, foi nossa escolha e o melhor que poderíamos ter feito por nós naquele momento.