a natação nos ensinou muito além de nadar!

Era uma vez, alguns anos atrás…

Antonia já ameaçou fazer natação duas ou três vezes na vida, na primeira era bebezinha e fazia aula acompanhada do pai, foram algumas aulas e em seguida ela adoeceu, gripe forte somada à alergia, e a pediatra nos orientou a parar até que se recuperasse completamente; interrompemos por algum tempo e na volta… de novo a tal alergia estava lá, a fez sofrer, nos cansou e paramos mais uma vez.

Naquele verão decidimos que era a hora, não dava mais para ela e Luisa, a irmã, ficarem sem saber nadar. Precisavam pelo menos conseguir “se virar” na água, afinal na casa da Nanna tem um piscinão que elas adoram, além do clube do condomínio, que é muito convidativo.

Então, fomos nós pra natação mais uma vez, agora com Luisa junto.

Tudo organizado, as aulas seriam com um professor conhecido da família. Primeira aula, ótima!, segunda fantástica!, na terceira a surpresa…  o professor entrou em férias e não avisou ninguém.

Quem disse que essas crianças entraram na água, que nada, ninguém quis nem saber!

Voltamos noutro dia e a mesma coisa. Paramos tudo, de novo, decidimos esperar o professor querido voltar para recomeçarmos.   

Passado algum tempo e várias recusas, enfim o dia da reestreia.

Chegamos no horário marcado, Luisa queria muito nadar e Antonia dizia que só ficaria assistindo a aula. Ok! vamos que vamos…

Luisa de maiô, touca e óculos, pronta para entrar quando de repente… travou, empacou na chegada e que nadar que nada, sem chances… então, decidimos ficar na borda, só assistindo a aula, do lado de fora mesmo.

Antonia começou a se aproximar e quis colocar os pés na água, então é melhor vestir o maiô, afinal pode ser que se molhe. Pés na água, em seguida pernas inteiras e por fim, uma brincadeira e outra, quando se deu conta estava fazendo a aula toda e Luisa lá, só assistindo.

Na aula seguinte, quase a mesma cena, Antonia entrou empolgada com as brincadeiras e atividades e Luisa, ficou de fora, só olhando o que acontecia. Mais uma ou duas aulas com o mesmo cenário, até que resolvemos chegar mais cedo, antes das outras crianças e ver o que aconteceria.

Luisa como uma habitué que não era, entrou, empoleirou no “tio” e fez a aula toda, a pequena conhecia todas as músicas e atividades, (isso me remete a outro tema importantíssimo – mesmo sem ser convidada ou sem fazer parte oficialmente do acontecimento, a criança que está por perto assiste, acompanha e assimila muito do que se passa, por isso precisamos de atenção e cuidado sempre!), Antonia dessa vez ficou mais retraída, menos a vontade, quis parar antes do habitual e até chorou alegando cansaço. Luisa saiu empolgadíssima e já se considerando uma “nadadoura” como costumava dizer.

Na aula seguinte, Luisa entrou e nem se preocupou com o entrono, já Antonia entrou e logo em seguida quis sair, chorou, chorou, chorou, disse que estava muito cansada, que não aguentava mais.  Como mãe, minha primeira ação foi dar uma forçada para que ela voltasse, mas diante de sua recusa, aceitei a situação e ficou por isso mesmo.

Dias depois, voltamos e mais uma vez Luisa entusiasmada foi para a aula, enquanto Antonia recusou-se até a vestir o maiô. A mãe aqui, com seu hábito quase automático, começou a pensar quais seriam as causas desta recusa, a primeira hipótese foi a velha e tradicional competição entre irmãs, afinal Luisa parecia mais hábil que Antonia e isso poderia estar lhe causando grande frustração, pois a irmã mais nova e que começou depois parecia ser melhor que ela.

Ah! Vale contar que esta foi a primeira atividade dirigida que elas fizeram juntas (isso mesmo!), além das brincadeiras caseiras, em família, elas não faziam nada juntas, no balé cada uma estava numa turma, na escola cada uma tinha sua classe, então a natação era a primeira atividade formal em que as duas eram do mesmo grupo, que compartilhavam regras e orientações de um mesmo professor simultaneamente.

Com essas ideias borbulhando, fui conversar com o professor, queria saber mais, e até me justificar pela saída inesperada de Antonia. E ele, a partir de seu olhar de instrutor, me contou que realmente depois que Luisa se empolgou com as aulas, Antonia passou a se retrair e não aproveitar tanto, e que ele notava uma preocupação excessiva dela com a irmã mais nova, chegando até a chamar a sua atenção para que ele ficasse atento a sua irmãzinha.

Olha só! Eu preocupada com a competição fraterna e na verdade o que a estava angustiando era a preocupação a proteção; não que uma seja melhor ou pior que outra, são apenas sentimentos e vivências diferentes que a relação entre irmãos proporciona em nossas vidas.

Pensei, pensei mais um pouco e resolvi me organizar, e me sacrificar (no melhor sentido!), para que cada uma ficasse em um horário diferente de natação. Combinei com Antonia que a levaria em outro dia pela manhã, afinal no fim da tarde ela dizia estar muito cansada. E como sabemos quando estamos cansados (ou com fome, ou sono) nossos sentimentos e sensações ficam exacerbados e nos fazem sofrer muito mais.

Chegou o tal dia e a surpresa novamente, recusa total de ir à aula. Conversei e quis saber mais, mas sem chances.  Estive a ponto de desistir da ideia de natação, tive receio de que forçando Antonia ficasse mais arisca à água e passasse a ter medo de piscina, mar e outros meios aquáticos. Mas não! Resolvi que continuaria insistindo, pois meu objetivo era que elas aprendessem a nadar, como sobrevivência, se depois disso quiserem ter a natação como esporte de escolha, ótimo!, se não, tranquilo!, pelo menos poderíamos brincar juntas sem medos ou nóias e nem boias.

Conversei daqui, dali, me informei e resolvi leva-la para a aula de uma “tia”, que já havia sido sua professora em outra ocasião. Quando chegamos, quem estava na piscina era “outra tia” (confesso que fiquei tensa!) que a recebeu com atenção e começou a aula. No inicio estava retraída, mas com os minutos foi se soltando até que estava completamente solta e desenvolta (ufa!).

Parece que, para Antonia, a atenção e o cuidado feminino da “tia” tornaram o nadar possível e suportável e assim ela conseguiu se soltar e passou a se arriscar.

Algumas aulas depois, por questões práticas,  Antonia e Luisa voltaram a fazer aula juntas e assim seguem até hoje.

 

visita indesejada

Escarlatina!

Até ontem, era apenas uma das palavras da música dos Titãs.

Hoje é uma visita indesejada que nos incomoda, aqui em casa.

Não que ela tenha chegado agora, está conosco há alguns dias, mas só ontem descobrimos seu nome, sobrenome e características.

Visita que não convidamos, veio por conta própria e nem sabemos de onde.

Chegou sem avisar, se instalou, nos pegou de surpresa… mas agora que já descobrimos sua identidade, estamos cuidando para que vá embora o mais rápido possível e não deixe rastros.

Certamente, algumas lembranças vão ficar, afinal sempre que uma dessas visitas passa por aqui aproveitamos para criar novas rotinas e momentos inesquecíveis. 

deixaria o final do texto assim

Nos últimos dias, vários queridos me recomendaram a leitura do texto O que acontece quando você fica elogiando a inteligência de uma criança de Wagner Brenner.

 Li, gostei muito e faria pequenas alterações, na verdade acrescentaria duas palavras fundamentais num parágrafo e mais algumas em outro, e deixaria o final do texto assim:

Se você tem um filho, um sobrinho, ou um amigo pequeno, não diga apenas que ele é inteligente. Diga também que ele é esforçado, aventureiro, descobridor, fuçador, persistente.


Celebre o sucesso, mas não esqueça de comemorar também o fracasso seguido de nova tentativa, após ter sentido a dor e descoberto que ele também é importante em sua vida. 

seres diversos e suas peculiaridades

Somos seres diversos (é sempre bom lembrar disso!) e como tal temos nossas peculiaridades, que ao serem (re)conhecidas e respeitadas nos tornam pessoas mais autênticas e autônomas.

É muito importante que nossas crianças aprendam a respeito de si próprias desde cedo, descubram que são diferentes dos outros e que a diversidade, por mais que cause estranheza, é parte de nossas vidas e é sim possível aproveita-la.

Para falar sobre diversidade com crianças, podemos utilizar histórias (existem excelentes contos a respeito), criar belos exemplos, fazer analogias, mas o que efetivamente ensina sobre a diferença é vive-la e autentica-la.

Quando a menina apaixonada por princesas descobre que sua mãe não é uma delas, não gostaria de ser, e nem vestidos ela usa.

Quando o garoto percebe que os dinossauros que o encantam não provocam nenhuma emoção em seus primos.

Quando o menino introspectivo e calado descobre que a colega falante pode ser sua parceira de brincadeiras.

Quando a criança de cabelos lisos e loiros percebe que seu irmão tem cachinhos castanhos.

Quando a garota que gosta muito de frutas conhece outra que prefere legumes.

Situações cotidianas nos dão referência de que a diferença faz parte de nossas vidas desde sempre, por isso vale a pena aproveitar as experiência do dia a dia para sinalizar nossas peculiaridades.

Alguns afirmam ser cruel dizer para uma criança que ela realmente é diferente da maioria das pessoas, eu acredito que crueldade mesmo é tentar faze-la acreditar ser quem não é. 

monstros caseiros

Dias atrás uma amiga querida recomendou um livro que, imediatamente, me encantou pelo nome “pequeno manual de monstros caseiros” (se você ainda não conhece, e tem crianças em sua vida, precisa conhecer!), fiquei curiosa, fui descobrir do que se tratava, o encantamento aumentou, encomendei, ele chegou, as menina e eu lemos e o encantamento virou paixão.

São dois livros simples, bonitos e cheios de emoções, que nos apresentam de forma divertidíssima os monstros que “costumam ser encontrados em todas as casas”.  O primeiro volume cataloga alguns monstros comuns e o segundo complementa a pesquisa.

Pode ser que você ainda não tenha entendido muito bem o motivo do meu entusiasmo, então pra facilitar nossa conversa seguem os nomes de alguns dos monstros apresentados:

Kerulógu – a monstra da impaciência

Nundou – o monstro da possessividade ou monstro do “não quero compartilhar”

Chuá – o monstro da derramação

Stupidus Impulsivus – o monstro da besteira e do temperamento irracional

Roupanik – o monstro da indecisão roupística ou monstro do “o que é que eu vou vestir?”

Aiki Soo Nu – o monstro do cansaço

De Du Dur – o monstro dedo-duro

As Irmãs Formiguim – as monstras das coisas doces

Chip Net – o monstro dos joguinhos eletrônicos

Olho-Gorda – a monstra da inveja

Prend Prend – o monstro dos dedos machucados

Os Gêmeos Criacaso – os monstros dos rolos e quebra-paus

Imagino que agora você já esteja conseguindo ligar o nome à pessoa, ou melhor, ao monstro e até tenha reconhecido um ou outro que, também, habitam sua casa.  

Aqui a descoberta foi tão produtiva que vira e mexe as meninas, principalmente a mais nova, voltam aos livros pra relembrarmos alguns dos nomes e suas características. Começamos, também, a brincadeira, que tem rendido muitas risadas, de identificar os responsáveis por alguns momentos de tensão e desgaste em nossos dias.

Tem sido um tal de “manda a Hister Ica embora!”…. rsrsrs… “olha o Giracuca e o Tagarelus tentando atrapalhar nosso sono”… rsrsrs… “vixi! a May Taka atacou novamente”… rsrsrs….

Os monstros tem proporcionado muitas risadas e isso nos ajuda a espanta-los, afinal são pouquíssimos os monstros, desgastes e tensões que resistem a um bom ataque de risos.

Além disso, ficou bem mais fácil reconhecer o que nos incomoda e dificulta nossas relações, afinal conseguimos nomear e sinalizar uns para os outros nossos comportamentos e atitudes que desagradam e juntos podemos encontrar o melhor antídoto para cada um dos monstros que nos atacam no dia a dia.

  

o início da vida escolar

Minhas filhas começaram a frequentar a escola bem novinhas. A mais velha ingressou no berçário com 14 meses e a caçula com 20 meses, elas eram bebês!

Até hoje, alguns me perguntam o motivo e eu poderia responder que foi porque trabalhava intensamente ou que não tinha outra opção, mas seria meia verdade. As duas foram para a escola cedo porque nós (o pai e eu) escolhemos que assim seria. 

Escolhemos oferecer a elas a oportunidade de conhecer o mundo a partir de suas vivências e de suas escolhas diárias e não apenas das experiências mediadas por nós. Tínhamos a preocupação de que criassem relações e vínculos por elas mesmas, além dos que passam por nós, por nossas avaliações e expectativas.

A mais velha iniciou sua vida escolar quando faltavam alguns meses pra caçula nascer, queríamos que ela tivesse em sua rotina um espaço só seu, um lugar em que não fosse a irmã mais velha, a primeira filha/neta, um ambiente em que ela fosse (re)conhecida por ser quem é.

Eu estava certa de nossa escolha e apesar disso chorei no primeiro dia que a deixei na escola, foi um choro meu (só meu!) no carro, sozinha, constatei que a partir daquele momento a minha pequena seria efetivamente parte do mundo. Pela primeira vez ela estaria sozinha em um ambiente que, em pouco tempo, se tornaria o seu lugar, o primeiro de seus espaços em que eu seria apenas visita.

 

os livros e a leitura

Livros fazem parte da vida da minha história desde sempre.

Lembro de vários que marcaram minha infância e adolescência com carinho especial. Na adultez, eles continuam fundamentais em meu cotidiano, alguns são companheiros de trabalho, outros momentos de lazer, alguns guias de consulta e outros nem me lembro de ter lido.

Gosto de livros de papel (podem me chamar de antiga, atrasada, …) daqueles que têm cheiro, peso e páginas para virar, rabiscar, marcar. Sim! Eu risco e rabisco meus livros, por isso, inclusive, dificilmente peço emprestado. Sei que para alguns é um crime riscar um livro, mas pra mim é uma necessidade, não sei ler sem fazer anotações e sinalizar trechos importantes.

Livros são tão importantes em meu mundo, minha vida, que minhas filhas os conhecem desde muito cedo, lembro delas ainda bem pequenas já manuseando meus livros de trabalho sem o menor pudor.

Em casa elas sempre tiveram acesso livre, assim como nas casas das avós. Tanto minha mãe quanto minha sogra tem pequenas bibliotecas de livros infantis, uma por gosto a outra por profissão, que estão completamente à disposição das netas. Nas três casas os livros ficam em estantes baixas que elas tem acesso e podem pegar e devolver quando querem. Alguns já são clássicos, lidos e relidos inúmeras vezes, outros ainda não foram descobertos.

Meu hábito de riscar e rabiscar os meus livros já gerou alguns probleminhas… as meninas quando eram menores faziam o mesmo, sem entender direito sua função, por simples imitação. Nos livros de casa isso nunca foi proibido, e confesso que até achava bonitinho elas me imitando… já as avós demoraram um pouco pra se acostumar com os rabiscos.

Apesar da presença cotidiana, aqui em casa não fazemos leitura antes de dormir. Acreditamos que livros e leitura merecem total atenção e por isso devem ser aproveitados quando estamos bem acordados e podemos acompanhar a história, os desenhos e complementos. Além disso, nossas leituras costumam provocar emoções, expectativas, curiosidades e outros sentimentos que me parecem incompatíveis com o momento de desligar os motores infantis e adormecer.

Atualmente muitos livros tem sido (re)descobertos e a relação das meninas com a escrita e a leitura está se transformando. A mais velha já quase alfabetizada e a mais nova começando a diferenciar as  letras, então alguns momentos mágicos acontecem em nossos dias.

Ainda existem tentativas de adivinhar as letras e palavras, situações de estranheza com o texto e até cansaço e desistência antes do fim da história, mas aí respiramos fundo, bebemos um gole d’água, às vezes, descansamos e recomeçamos a aventura da leitura. 

mãe e… parques temáticos

Dia desses fui a um parque temático, com minhas filhas, e mais uma vez tive a oportunidade de refletir a respeito de nós, seres humanos, de nossas relações, expectativas e…

Assim que chegamos ao parque postei numa rede social que lá estava e alguns comentários, somados às experiências vividas me inspiraram as seguintes dicas:

Só acompanhe crianças a um desses parques se realmente estiver com vontade e/ou no clima da diversão, quero dizer que se você acha esse tipo de passeio muito chato (e até insuportável!) não vá. Criança nenhuma merece ser punida pela companhia de um adulto mal humorado e sem paciência num empreitada dessas.

Você vai ter que enfrentar filas, isto é fato! Se estiver contrariado, a espera será muito mais custosa para todos que te acompanham e poderá gerar irritação e desentendimentos.

Falando em filas… é fundamental nossas crianças aprenderem a suportar a espera (por mais desagradável que possa ser!), então se seu objetivo é educar seus filhos, sobrinhos, afilhados, amigos, … incentive-os a enfrentar filas, ensine-os a se comportarem nesta situação, explique que é necessário aguardar a sua vez, que faz parte da organização e da diversão, que é importante para a segurança de todos, que…

Segurança é fundamental nesse tipo de passeio!

Siga rigorosamente as regras impostas pelo estabelecimento, a sua integridade só poderá ser garantida se as normas forem acatadas. Sei que muitas vezes pode parecer que não há nenhum risco, porém acredite que as regras tem razão e justificativa, obedeça e aumente as chances  de seu dia terminar bem.

É muito importante, também, conhecer e seguir a recomendação de idade e estarura de cada atividade.

Informe às crianças a respeito dos brinquedos e brincadeiras, isso facilitará o sucesso de seu passeio, explique do que se trata cada atividade antes de começar, assim você diminuirá as chances da criança se assustar e se arrepender de ter aceito o convite.

Lembre-se que para informar alguém de algo é necessário que antes você saiba a respeito e não invente, nem diga o que imagina, pois se sua explicação for incoerente e/ou muito diferente da realidade a cobrança será proporcionalmente maior. Se tiver dúvidas e/ou não souber diga isso a criança, certamente ela confiará mais em você.

A necessidade de hidratação e alimentação de crianças e adultos é muito diferente, não se esqueça disso! Assim como a tolerância ao cansaço e o ritmo também são diversos em cada ser.

Leve roupas sobressalentes… afinal crianças são sempre imprevisíveis e podem se sujar, molhar, melecar… onde e quando menos esperamos. E se levar uma bolsa grande, mochila, use o serviço de armário que costuma existir nesses estabelecimentos, isso te ajudará a ter um passeio mais leve e divertido.

Para alguns essas dicas podem parecer óbvias e desnecessárias, e para outros serão simples teorias impossíveis de praticar, seja qual for a sua impressão, aproveite!

escolas de princesas

Pela manhã,  soube da existência de várias “escolas de princesas” e ainda não sei bem o que penso a respeito, a expressão que melhor me define neste momento é: “estou chocada!”. Com o susto veio a dúvida: será que precisamos desse tipo de escola?

É fundamental ensinarmos para todas as crianças (e não só para as meninas!) solidariedade, ética, generosidade, bons modos, etiqueta, elegância, e… o que me assusta é vincular este aprendizado ao título de princesa.

Qual princesa é essa que prometem?  Será que é a dos contos que fica a espera de um príncipe que a salve das maldades da bruxa? Ou seria aquela que vive num castelo rodeada de súditos que estão à mercê de suas vontades?  Ou ainda, a que está o tempo todo produzida para a foto e disposta a atender as expectativas dos outros?

Seja qual for a princesa prometida, essa ideia me assusta, me preocupa e outras questões me instigam:

Só princesas devem receber esses ensinamentos? E aquelas meninas que não sonham em ser princesas… que não gostam de se maquiar… que preferem o shorts e o tênis ao invés dos longos vestidos… Não há espaço para essas meninas?

A questão é polêmica e certamente existem clientes para este tipo de serviço. Sei que muitas meninas se imaginam princesas e suas mães se acreditam rainhas e, principalmente, que devemos respeita-las.

O que me intriga é que, mais uma vez, nos esquecemos da diversidade, das diferenças individuais e criamos serviços exclusivos para algumas pessoas apenas.

Já imaginou se começam a surgir escolas para príncipes, outras para plebeias, umas para bruxas, outras para feiticeiros, também para fadas madrinhas, e para sapos, e …

Acredito que será muito mais divertido e efetivo se criarmos cada vez mais escolas que suportem receber todos os personagens dos contos juntos, ali, num mesmo ambiente, aprimorando suas preferências, respeitando suas diferenças e aproveitando suas complementariedades.

casa de las estrellas – el universo contado por los niños

Dias atrás ganhei um exemplar do livro “casa de las estrellas el universo contado por los niños”, estou me deliciando com essa obra fantástica e imagino que em breve escreverei mais a respeito. Enquanto isso te convido a ler a entrevista que o site Universia fez com o autor Javier Naranjo.

 O livro foi publicado pela primeira vez na Colômbia em 1999 e reeditado no início desse ano. Trata-se de um dicionário feito por crianças que apresenta 500 definições para 133 palavras, de A a Z. No dicionário, adulto é uma “pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro de si”, água é uma “transparência que se pode tomar”, um camponês “não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos” e o céu é “de onde sai o dia”.

O autor coletou as informações durante dez anos enquanto trabalhava como professor em diferentes escolas do estado de Antioquía, região rural da Colômbia e, como resultado, obteve um dicionário com verbetes ao mesmo tempo divertidos, lógicos e reais. Em entrevista à Universia, Javier Naranjo disse que não censurou ou alterou nenhuma palavra das definições dos seus alunos. “Apenas corrigi a pontuação e ortografia. O livro mantém a voz literal das crianças”, garantiu.

A seguir, leia a entrevista na íntegra com Javier Naranjo, autor do dicionário “Casa das estrelas: o Universo Contado pelas Crianças”. Para ele, as crianças revelam muitas coisas que os adultos já esqueceram. Confira: continue lendo »