deixaria o final do texto assim

Nos últimos dias, vários queridos me recomendaram a leitura do texto O que acontece quando você fica elogiando a inteligência de uma criança de Wagner Brenner.

 Li, gostei muito e faria pequenas alterações, na verdade acrescentaria duas palavras fundamentais num parágrafo e mais algumas em outro, e deixaria o final do texto assim:

Se você tem um filho, um sobrinho, ou um amigo pequeno, não diga apenas que ele é inteligente. Diga também que ele é esforçado, aventureiro, descobridor, fuçador, persistente.


Celebre o sucesso, mas não esqueça de comemorar também o fracasso seguido de nova tentativa, após ter sentido a dor e descoberto que ele também é importante em sua vida. 

mãe e… licença paternidade

Sempre que leio e/ou ouço notícias a respeito do aumento do tempo da licença paternidade me questiono se estamos preparados para isso. Penso em todas as dificuldades que vivemos no Brasil, nas diferenças sociais e culturais e nas influências que uma lei como esta pode ter na vida das pessoas comuns.

Eu tenho um companheiro super presente e não foi diferente no nascimento de nossas duas filhas. Como sabíamos que por direito seriam apenas 5 dias de licença, ele se organizou para estar de férias nas duas ocasiões.

Você pode dizer que tivemos sorte, que não é todo pai que trabalha em empresa correta que possibilita que agende férias para o período que deseja, que isso é uma exceção. Realmente não é todo pai que consegue se organizar para estar presente nos primeiros dias de vida de seu filho, mas conheço alguns que conseguiram e não são poucos.

Acredito que para muitas famílias a alteração da lei seria um benefício incalculável, que traria melhores condições de adaptação, que os bebês teriam mais atenção em seus primeiros dias, que as mães se sentiriam mais cuidadas, que os pais poderiam acolher seus filhos de forma integral e que existiriam diversas vantagens para as diferentes famílias.

Agora, te convido para considerarmos aquelas famílias em que o pai não tem interesse em se aproximar de seus filhos, em que os homens acreditam que os cuidados com o bebê são tarefa de mulher, assim como cozinhar, lavar, passar e arrumar a casa. Aquelas famílias que (infelizmente!) ainda são a maioria em nosso país, nas quais a mulher fica sobrecarregada cada vez que um filho nasce, afinal já tem outros tantos para cuidar e educar.

Eu conheço, e imagino que você também conheça, inúmeras famílias em que o homem (o macho!) quando está de folga do trabalho fica sentado assistindo televisão e esperando que a mulher o sirva, ou que nesses dias de descanso sai de casa logo cedo e só volta no fim do dia, muitas vezes embriagado, com cobranças e exigências, ou ainda aqueles que dormem e dizem que precisam descansar e que todos devem ficar em silêncio para não incomodar. Imagine como essa realidade ficaria ainda mais difícil caso esses homens tivessem licença paternidade de 30 dias ao nascimento de cada filho. 

Neste momento, você pode dizer que se mantivermos esse raciocínio nunca iremos melhorar as nossas condições de vida, não conseguiremos garantir nossos e novos direitos, nem possibilitaremos vidas mais dignas às pessoas e suas famílias. Mais uma vez, concordo que isso realmente aconteceria se nos limitássemos a acreditar que a lei deve ou não ser aprovada e cumprida, que a licença paternidade deve ou não ser ampliada, que esta lei, ou qualquer outra, resolverá isso ou aquilo, esquecendo de considerar que para cada novidade precisamos nos educar, aprender outros jeitos de estar nessas novas e desconhecidas situações, recontratar, deixarmos de ser como somos, nos reinventarmos, nos atualizarmos. 

 

pé de laranja não dá abacate

Tenho uma amiga que costuma dizer que “pé de laranja não dá abacate”, outros garantem que “filho de peixe, peixinho é”, existem os que profetizam que “quem sai aos seus não degenera”, os mais dramáticos preferem afirmar que “sangue não é água”, seja qual for o provérbio ou a forma de expressar o que vale é a expectativa de que sejamos parecidos com nossos pais e nossas famílias. 

É muito comum nos preocuparmos em saber, ver e decidir com quem cada bebê se parece assim que nasce. É um tal de “é a cara da mãe”, ou “os olhos são do pai e o nariz é do avô”, ou “essa é uma boa mistura dos pais” … isso quando não começamos a procurar fotos e vídeos que possam servir para comparação.

Quando a criança cresce e demonstra comportamentos, atitudes e jeitos que se assemelham a um e/ou a outro, mais uma vez começam as comparações… “parece a avó”, “nervosinha igual à tia”, “vixi! o pai também era assim”… e então histórias são (re)lembradas e aproveitadas para mostrar o quão parecida a criança é com alguém de sua família.

Muitas vezes ficamos tão encantados com as semelhanças que esquecemos que a  criança é um ser único, um indivíduo diferente de todos os outros. E que por mais que seja filha de seu pai e sua mãe a criança sempre será mais do que a simples soma dessas duas pessoas.

Cada um de nós é um ser único, que recebe como herança características, jeitos e crenças dos pais e famílias e também está o tempo todo sendo influenciado pelo meio em que vive, as pessoas com quem se relaciona e os afetos, cuidados e aprendizagem que recebe.

Acho muito importante lembrarmos disso para não perdermos de vista que somos sim muito parecidos e também muito diferentes, sempre! 

monstros caseiros

Dias atrás uma amiga querida recomendou um livro que, imediatamente, me encantou pelo nome “pequeno manual de monstros caseiros” (se você ainda não conhece, e tem crianças em sua vida, precisa conhecer!), fiquei curiosa, fui descobrir do que se tratava, o encantamento aumentou, encomendei, ele chegou, as menina e eu lemos e o encantamento virou paixão.

São dois livros simples, bonitos e cheios de emoções, que nos apresentam de forma divertidíssima os monstros que “costumam ser encontrados em todas as casas”.  O primeiro volume cataloga alguns monstros comuns e o segundo complementa a pesquisa.

Pode ser que você ainda não tenha entendido muito bem o motivo do meu entusiasmo, então pra facilitar nossa conversa seguem os nomes de alguns dos monstros apresentados:

Kerulógu – a monstra da impaciência

Nundou – o monstro da possessividade ou monstro do “não quero compartilhar”

Chuá – o monstro da derramação

Stupidus Impulsivus – o monstro da besteira e do temperamento irracional

Roupanik – o monstro da indecisão roupística ou monstro do “o que é que eu vou vestir?”

Aiki Soo Nu – o monstro do cansaço

De Du Dur – o monstro dedo-duro

As Irmãs Formiguim – as monstras das coisas doces

Chip Net – o monstro dos joguinhos eletrônicos

Olho-Gorda – a monstra da inveja

Prend Prend – o monstro dos dedos machucados

Os Gêmeos Criacaso – os monstros dos rolos e quebra-paus

Imagino que agora você já esteja conseguindo ligar o nome à pessoa, ou melhor, ao monstro e até tenha reconhecido um ou outro que, também, habitam sua casa.  

Aqui a descoberta foi tão produtiva que vira e mexe as meninas, principalmente a mais nova, voltam aos livros pra relembrarmos alguns dos nomes e suas características. Começamos, também, a brincadeira, que tem rendido muitas risadas, de identificar os responsáveis por alguns momentos de tensão e desgaste em nossos dias.

Tem sido um tal de “manda a Hister Ica embora!”…. rsrsrs… “olha o Giracuca e o Tagarelus tentando atrapalhar nosso sono”… rsrsrs… “vixi! a May Taka atacou novamente”… rsrsrs….

Os monstros tem proporcionado muitas risadas e isso nos ajuda a espanta-los, afinal são pouquíssimos os monstros, desgastes e tensões que resistem a um bom ataque de risos.

Além disso, ficou bem mais fácil reconhecer o que nos incomoda e dificulta nossas relações, afinal conseguimos nomear e sinalizar uns para os outros nossos comportamentos e atitudes que desagradam e juntos podemos encontrar o melhor antídoto para cada um dos monstros que nos atacam no dia a dia.

  

momentos inesquecíveis

Domingo levamos as meninas (minhas filhas!) para passear por São Paulo e incluímos alguns deslocamentos via metrô, elas nunca tinham usado esse tipo de transporte e ficaram encantadas.

A aventura começou quando expliquei que para esse passeio usaríamos um transporte diferente de todos os que elas já conheciam e que para embarcar precisaríamos descer pra “debaixo da terra”… muitas perguntas surgiram e a expectativa estava no ar.

Quando chegamos à estação a curiosidade parecia tomar conta daquelas crianças, seus olhos exploravam o ambiente, mil inquietações brotavam.

Compramos os bilhetes e neste momento apareceu uma estranheza… apenas a mais nova ainda é isenta de pagamento, várias questões, muitas risadas ao passar por baixo da catraca e a excitação crescia.

A espera pelo metrô foi marcante, quando ouvimos o barulho do trem chegando seus olhos brilharam e, assim como no embarque, podíamos ver o deslumbramento em seus rostos. 

O primeiro trecho que percorremos foi curto (apenas uma estação) e no momento do desembarque surgiu um chororô, não queriam descer e as queixas duraram até a saída da estação, quando combinamos que na volta faríamos um percurso mais longo.

A hora de voltar chegou… já sabiam como seria a entrada na estação, a passagem pela catraca, o embarque no trem… o que nem imaginavam é que dessa vez o vagão estaria mais cheio e que todos teríamos que ficar em pé.

Segura daqui, se apoia de lá, olhos curiosos, muitas risadas e o metrô seguindo seu caminho, para numa estação, vai até a outra, pessoas sobem outras descem e de repente um lugar vaga em nossa frente… olhamos pras meninas, indicamos para que sentem e as duas imediatamente sorriem e dizem que ficar em pé é mais divertido, mais emocionante.

Um casal bem jovem que está sentado ao nosso lado ri da situação e comenta entre si: “como é bom ser criança! Quero ver se quando forem maiores vão continuar achando isso…” eu sorrio para eles e penso que eles realmente têm razão, é muito bom ser criança e viver a liberdade de se divertir com as experiências do dia a dia, com as descobertas que fazemos a todos os instantes.

Neste momento me entrego (mais ainda!) a brincadeira e aproveitamos que o vagão esvaziou para ver o movimento do trem lá na frente e, também, lá atrás que serpenteia e nos surpreende com seus leves solavancos.

Desembarcamos e eu me sinto satisfeita e emocionada com mais essa vivência de minhas filhas e, principalmente, muito grata a elas por outra vez me lembrarem que, se aproveitarmos, as experiências cotidianas podem se tornar momentos inesquecíveis.

 

concordo que um é pouco

Depois de um dia cansativo, daqueles produtivos e bem proveitosos, com filhas, babá, escolas, trabalho, ginástica e tudo mais que uma mulher contemporânea tem direito, chego em casa para finalmente preparar e servir o jantar, colocar as crianças na cama e descansar.

Sento para o xixi da noite, aproveito para folhear uma revista,  me deparo com um artigo de Marcelo Tas (leia!) que começo a ler despretensiosamente, sinto meu coração sorrir e no fim uma pontada de inveja por ele ter escrito tão bem a respeito desse tema que tanto me instiga.

A importância do segundo filho e a necessidade do irmão na vida das famílias. Considero seu texto irretocável, concordamos em tantos pontos que me encanta saber que mais alguém (que nem conheço!) pensa como eu.

Irmãos são fundamentais para aprendermos que existe alguém além de nós mesmos e, principalmente, que o outro por mais parecido que possa ser é sempre muito diferente de nós.

Como mãe de duas, concordo que dá trabalho e afirmo (com certeza e experiência!) que vale a pena!

(ecos) tipos de palpites, pitacos e conselhos

Os três primeiros comentários recebidos em palpites, pitacos e conselhos” me inspiraram a pensar mais a respeito e curiosamente imaginei uma tipologia. 

Eis algumas ideias que surgiram:

Palpite cheio de boas intenções – surge com a melhor das intenções e nem sempre termina bem;

Pitaco tapa na cara – é dado com tanta violência que parece mais uma agressão do que um palpite;

Conselho carinhoso – é proferido com afeto e gentileza, cuida de quem irá recebe-lo e pretende não ofender ou causar mal-estar;

Palpite justificado – aquele que inclui a frase: “só estou te dizendo isso porque…”

Pitaco científico – recheado de informações científicas que muitas vezes não interessam e nem são compreendidas por quem as está recebendo;

Conselho desejado – surge a partir do pedido do outro e por isso, na maioria das vezes, é ouvido e aproveitado com carinho e atenção;

Palpite desculpado – começa com “desculpa falar, mas…” e nem sempre termina bem;

Pitaco google ou spam – cheio de informações colhidas das diferentes fontes digitais e que na maioria das vezes não tem responsabilidade assumida;

Conselho casos de família – traz em si informações e compartilha histórias de família;

Palpite profecia – parece mais uma condenação do que uma sugestão;

Pitaco suicida – aquele que quando a pessoa percebe já “se jogou” de sua boca;

Conselho universal – repleto de histórias universais e atemporais;

Palpite “deveria ser assim…” – fala do mundo ideal e passa longe da vida real;

Pitaco venenoso – aquele do invejoso que é deliberadamente maldoso;

Conselho “no meu tempo…” – dependendo do afeto e das pessoas envolvidas será produtivo ou destrutivo;

Palpite causo da vizinha ou cena de novela – vem recheado de acontecimentos novelescos e muitas vezes inverossímeis;

Pitaco “dai-me paciência!”- aquele que ao ouvir você começa a pedir paciência e contar até dez… ou mil;

Palpite “se comigo deu certo…” – é perigoso quando vem de alguém que esquece de considerar que as pessoas são diferentes e as relações bastante diversas.

Imagino que existam muitos outros tipos e se você tiver alguma sugestão, não se acanhe, palpite sem medo.

Ah! vale lembrar que palpites, pitacos e conselhos são só sugestões e que sempre aproveito da forma como preferir e até jogo fora se achar melhor. E que o fato de saber que posso ignorar o que foi dito, não significa que não me irrite quando alguém chega dizendo, sem mais nem menos, isso ou aquilo a respeito das minhas escolhas e da minha vida.

 

palpites, pitacos e conselhos

 Sou tia de um bebê que nasceu há poucos dias, meu sobrinho, o primeiro, acabou de chegar e já me dei conta de como é desafiante ser tia.

Costumamos pensar e falar da parte divertida, aquela de levar pra passear, fazer bagunça, brincar, e esquecemos dos palpites e dos comentários que só as tias são capazes de verbalizar.

Lembro-me com certo rancor do momento em que uma tia ao conhecer minha primeira filha, com 4 ou 5 dias de vida, antes de dizer qualquer amenidade soltou um : “noooossa! Como essa criança tá amarela!” Até hoje imagino a minha cara… lembro da sensação, da vontade de esconder minha menina de protege-la daquela pessoa que a estava mal dizendo. Sei que sua intenção não era ruim, que imaginava que fazendo aquilo estava protegendo a criança e a mãe inexperiente, ela inclusive se propôs a dar banho de picão branco na minha bebê e é obvio que não deixei!!!

Dias depois outra tia se angustiou ao ouvir a bebê chorar e dizia que só podia ser fome, que eu deveria coloca-la para mamar e quando eu argumentava que a pequena acabará de fazer uma boa mamada e que acreditava ser melhor tentar outras alternativas, me olhava com cara de espanto, beirando o desespero.

Agora a tia sou eu, e preciso confessar que às vezes os palpites chegam até a ponta da língua… na maioria das vezes consigo manter a boca fechada, mas não sei até quando vou resistir.

E você, quais são suas experiências com pitacos, palpites e conselhos?