me desculpe!

Você já pediu desculpas para uma criança por algum exagero seu?

Você pode argumentar que nunca precisou pedir desculpas porque não exagera, ou dizer que todas às vezes que perdeu a paciência e foi rude com sua criança a culpa foi dela e por isso não faz sentido você pedir desculpas, ou então pode garantir que nunca perde o controle e sempre (re)age com delicadeza e gentileza.

Eu confesso, já perdi a paciência, sim! Já fui ríspida com minhas filhas e também já pedi desculpas (muitas vezes!) por exageros que cometi.

Pedir desculpas faz parte da vida humana, afinal nem sempre acertamos no tom de nossas argumentações, nem sempre nosso humor está em sintonia com o das pessoas com quem convivemos, muitas vezes nossa paciência acaba antes do dia terminar e a gentileza fica esquecida em algum canto da vida.

Pedir desculpas é uma atitude de maturidade, afinal para nos desculparmos de algo precisamos nos dar conta e reconhecer que exageramos e/ou erramos.

Pedir desculpas é uma atitude de respeito pelo outro, que foi vítima de nosso destempero, e pela relação que temos.

Pedir desculpas é uma atitude educativa, crianças aprendem a se desculpar quando descobrem que isso é possível, e quando se sentem respeitadas após algum desencontro.

Pedir desculpas não enfraquece e nem desautoriza ninguém, muito pelo contrário, crianças respeitam adultos que se mostram capazes de reconhecer seus exageros, de justifica-los e de se desculparem.

Pedir desculpas não deve ser uma atitude mecânica e impensada, precisa ser refletida, autêntica e baseada na crença de que somos seres em crescimento e desenvolvimento contínuos. 

a escolha da escola

Ano passado minha filha mais velha encerrou o ciclo do ensino infantil e iria para o fundamental, por isso fomos em busca de escola perfeita para matricula-la.

Imaginávamos que a escola perfeita não existiria, até que nos demos conta de que perfeito pode ser entendido, também, como aquele que apresenta as melhores qualidades e não apenas aquele em que não há defeitos. Sendo assim… Ficou mais fácil, afinal quem define quais são as melhores qualidades para nossa família somos nós mesmos.

Para tornar a escolha mais tranquila (ou menos angustiante?!) visitamos diversas escolas, e buscamos encontrar a que mais combinasse com nossas crenças e expectativas familiares.

Antes das visitas estabelecemos alguns critérios e criamos um roteiro de itens a observar e perguntas a fazer, em cada uma delas. No início imaginávamos que seriam visitas parecidas entre si, afinal tínhamos definido as questões e expectativas (pensei que pelo menos desta vez conseguiríamos ser absolutamente objetivos!).

É claro que não conseguimos responder todas as perguntas, na maioria das escolas, e isso foi um ótimo sinalizador e facilitador da escolha.

Quando começamos a busca tínhamos referências antigas e recentes, conversei com amigas sobre suas experiências e com minha sogra que é professora na rede pública e conhece bem os bastidores da educação na cidade em que vivemos.

De minha sogra ouvi notícias do tipo: “lá eles não pagam em dia os professores”, “acolá a coordenação respeita muito a equipe e promove vários cursos de aperfeiçoamento”, “ih! Naquela os professores têm que se virar, pois não há incentivo”, “aquela coordenadora é sensacional!”, “naquela professor desmotivado não tem vez”, e outras tantas.

Por questões de agenda, meu marido e eu decidimos que eu faria as visitas e conversaríamos a respeito de cada uma delas antes de escolhermos duas ou três para visitarmos juntos, afinal temos certeza que cada um tem um jeito diferente de olhar, cheirar, sentir, pensar, escolher, …

Liguei para todas as escolas para ter as primeiras informações e saber se seria necessário marcar horário para as visitas ou se bastava chegar e seria atendida.

Esses telefonemas foram bastante importantes, pois me possibilitaram uma primeira impressão de cada uma das escolas, quais tinham as secretarias preparadas comercialmente para receber novos alunos e como reagiam às perguntas de uma mãe curiosa.

Comecei as visitas pela escola que imaginava ser a mais parecida com nossas expectativas; em seguida fui a uma que tinha excelentes referências; depois a outra que era nova, recém-inaugurada; passei por algumas que nem me lembro bem e por outras que me frustraram; por fim, conheci uma que me encantou e criou em mim novas dúvidas.

As visitas possibilitaram que eu questionasse minhas expectativas, que (re)definisse o que estava procurando e que fizesse descobertas interessantes, que compartilho e espero que você aproveite como considerar melhor.

Em algumas escolas existe um funcionário responsável pela apresentação do espaço físico, que descreve todos os detalhes, conduz o visitante e não responde nada sobre o processo educacional. Em outras a visita é guiada pela coordenadora e/ou diretora, que aproveita o trajeto para falar a respeito da proposta pedagógica, das atividades (extra)curriculares, do perfil dos alunos, dos professores e muito sobre a vida naquele ambiente.

Em umas o ateliê de artes convida a criatividade a crescer dentro de nós (e das crianças, eu imagino!), e em outras as atividades artísticas são desenvolvidas na própria sala de aula (o mesmo acontece para as aulas de musicalização e expressão corporal/dança).

Existem escolas em que há duas bibliotecas, uma para alunos do Ensino Infantil e Fundamental I e outra para Fundamental II e Médio, em outras há apenas uma biblioteca para todos os alunos. A biblioteca pode ser um lugar aconchegante e silencioso ou apenas mais um dos espaços de convivência.

Algumas escolas que têm corredores enfeitados com trabalhos dos alunos e salas de aulas decoradas e com carteiras em tamanho adequado para a idade e estatura dos alunos que as usarão. Outras aproveitam as mesmas salas para diversas turmas e por isso as mantém bastante impessoais e frias, assim como os espaços comuns.

Umas são cheirosas, esterilizadas e silenciosas, outras levemente barulhentas e com cheiro de vida, e algumas absurdamente barulhentas e quase fedidas.

Existem escolas que têm jardins e áreas verdes de convivência (com direito a insetos e pequenos animais), outras são de concreto e sem espaço para atividades ao ar livre. As cores também podem estar presentes ou ausentes nos prédios.

Algumas escolas têm estacionamento para os pais ficarem confortavelmente acomodados nos momentos de entrada e saída dos alunos, outras têm sistema de “entrega de criança” em que os pais não precisam nem desligar seus carros para deixar e pegar seus filhos. E também existem aquelas em que os pais têm que se virar para estacionar e vão ao portão buscar os filhos que ficam esperando com suas professoras, que estão disponíveis para conversar, caso necessário.

Em muitas o material pedagógico é padronizado/apostilado e todos os alunos devem seguir o ritmo estabelecido para o cumprimento integral do conteúdo; em outras o material é o mapa a ser seguido, aproveitado no ritmo de cada turma e que pode ser complementado conforme as curiosidades, competências e peculiaridades de cada grupo de alunos.

Algumas escolas têm a expectativa de interação e participação constante dos pais e outras nem tanto.

O ano letivo pode ser dividido em trimestres ou bimestres. E as avaliações podem ser feitas com notas ou conceitos, dependendo da proposta.

Existem escolas com caraterísticas tão peculiares que até é difícil descrever, e outras que se definem como bilíngues, biculturais, religiosas, agnósticas, não doutrinárias, sócio-construtivistas, tradicionais, ecléticas, … muitas vezes as descrições são contraditórias e o discurso é incoerente, porém é a forma como cada uma se apresenta, e este é mais um bom sinalizador do ambiente educacional existente.

Aquela maratona de visitas e conversas me possibilitou a certeza de que existem escolas para todos os gostos, tipos e crenças e que cada um de nós fará a escolha baseado em expectativas, desejos e critérios pessoais e familiares, sempre!

 

comportamentos não negociáveis

Está circulando no FB uma tabela de regras da mesada, supostamente, feita por um pai para garantir a ordem em sua casa em troca do pagamento integral da mesada de seus filhos.

A ideia não é completamente ruim, afinal educar os filhos é uma tarefa angustiante, trabalhosa e cansativa e muitas vezes procuramos soluções mágicas que possam diminuir nossas dificuldades.

Na tabela estão definidas as regras a serem seguidas, ou melhor, os comportamentos e atitudes que não são aceitos naquela casa. E a definição de regras claras é importante para nós humanos sabermos o que se espera de cada um e do coletivo e qual será nossa punição, caso descumpramos alguma norma.

Neste caso a punição é financeira, e quem não seguir as regras e desobedecer pai e mãe  será castigado e perderá parte de sua mesada.

A mesada torna-se o objeto de troca, um bem precioso que precisa ser zelado e mantido sob atenção e proteção. Dinheiro passa a ser sinônimo de bons modos e o bom comportamento torna-se um bem a ser vendido e comprado.

O problema é que existem alguns comportamentos que não são negociáveis.

Atividades como: escovar os dentes, tomar banho, puxar descarga, usar óculos e aparelho devem ser executadas por questões de higiene e saúde.

Deixar brinquedos, materiais, roupas, sapatos e toalhas jogados ou largados também são comportamentos que não devem ser negociados, afinal estas ações prejudicam o bem estar coletivo e é isso que deve ser explicado à criança (acredite que ela é capaz de compreender!)

Comportamentos que geram desperdício, como deixar torneiras abertas, luzes acessas, porta da geladeira aberta e TV, sky e PS3 ligados, também, devem ser evitados com base em explicações adequadas para cada faixa etária.

Sei que muitas vezes é difícil explicar a importância de algumas atividades e comportamentos, e que precisamos de muuuuita paciência em situações de questionamentos e desobediências, porém vale a pena investir na educação baseada no diálogo e na crença de que a criança é capaz de compreender, aprender e desfrutar as regras da casa, da família e do mundo.

limites: a importância de dizer o não e o sim!

Crianças precisam de limites! (e nós, adultos, também!)

Manuais que nos ensinam como estabelecer limites existem muitos, cada um deles apresenta sua fórmula infalível que garante limites claros e duradouros, o que a maioria esquece de nos avisar é que nem sempre é tão simples quanto sugerem.

Estabelecer limites (dizer sim, talvez e não!) é habitualmente angustiante e desgastante, afinal estamos aqui para ampliar limites, descobrir e criar novas alternativas e as crianças testam os limites e, mais ainda, nossa paciência.

Limites começam a ser aprendidos no inicio da vida do bebê e, por mais que pareça complicado, tudo acontece tão naturalmente que nem nos damos conta.

Quando, durante a amamentação, um dos peitos esgota ou a mamadeira acaba, quando a brincadeira precisa ser interrompida para trocar a fralda, quando a música acaba, quando a mãe sai, quando é hora de ir embora da casa da vovó, … essas e outras situações cotidianas são os primeiros sinalizadores de que os limites existem, sejam fisiológicos, temporais e/ou comportamentais estão presentes em nossas vidas desde muito cedo.

Se nos damos conta dessas experiências e aproveitamos para aprender com cada uma delas tornamos a tarefa de ensinar limites mais simples e corriqueira.

Quando o bebê cresce, vira criança, e os primeiros limites já fazem parte de sua vida, é chegada a hora de apresentar os limites comportamentais e atitudinais e esses sim são trabalhosos de ensinar.

Limites são importantes sinalizadores do que é esperado e aceito nas relações humanas, e as crianças precisam dessas referências para aprenderem a viver em sociedade e a respeitarem a própria individualidade e, também, cada um de nós.

As referências, as regras, o sim e o não devem ser objetivos e consistentes, apresentados com frases curtas, sem explicações muito longas e complexas (que mais confundem do que esclarecem!) e em linguagem e tom de voz que faça sentido para a criança.

Os limites, as regras, as atitudes e os comportamentos devem ser coerentes e não mudam de acordo com o estado de humor e os interesses imediatos dos adultos. Uma regra é sempre a mesma regra, vale para crianças e adultos e não muda de acordo com as circunstâncias.

 

o menino da bola

bola

Essa imagem me intrigou e provocou diversos sentimentos, pensamentos e sensações.

Na primeira olhada, senti uma tristeza muito forte, tristeza da solidão de cada um daqueles meninos, começando pelo menino da bola e passando por todos os outros.

Em seguida, surgiu a dúvida: “quem é o diferente aí?” ou seria: “quem é o (in)adequado nessa situação?”.

E logo me dei conta, que a melhor resposta para o meu questionamento seria: “depende do ponto de vista!”.

Do ponto de vista dos garotos, é provável que o menino da bola seja o inadequado, o diferente, o esquisito.

Do nosso ponto de vista de adultos, que “sabemos o que é importante”, certamente surgiriam diversos discursos defendendo a necessidade de todos jogarem juntos, e justificando a importância de tirar essas crianças do virtual, e garantindo que é fundamental que os meninos brinquem em grupo e aprendam a dividir, e outros tantos…

Seja qual for nosso olhar para a situação o mais comum é pensarmos em certos e errados, adequados e inadequados e dificilmente nos damos conta de que cada um faz suas escolhas e de que cada um tem suas preferências e peculiaridades.

Se aprendermos (e ensinarmos!) desde cedo a nos colocarmos no lugar do outro, a olhar por outros ângulos, será possível considerar nossas escolhas e diversidades e seremos, no mínimo, um povo mais tolerante e respeitoso.

deixaria o final do texto assim

Nos últimos dias, vários queridos me recomendaram a leitura do texto O que acontece quando você fica elogiando a inteligência de uma criança de Wagner Brenner.

 Li, gostei muito e faria pequenas alterações, na verdade acrescentaria duas palavras fundamentais num parágrafo e mais algumas em outro, e deixaria o final do texto assim:

Se você tem um filho, um sobrinho, ou um amigo pequeno, não diga apenas que ele é inteligente. Diga também que ele é esforçado, aventureiro, descobridor, fuçador, persistente.


Celebre o sucesso, mas não esqueça de comemorar também o fracasso seguido de nova tentativa, após ter sentido a dor e descoberto que ele também é importante em sua vida. 

monstros caseiros

Dias atrás uma amiga querida recomendou um livro que, imediatamente, me encantou pelo nome “pequeno manual de monstros caseiros” (se você ainda não conhece, e tem crianças em sua vida, precisa conhecer!), fiquei curiosa, fui descobrir do que se tratava, o encantamento aumentou, encomendei, ele chegou, as menina e eu lemos e o encantamento virou paixão.

São dois livros simples, bonitos e cheios de emoções, que nos apresentam de forma divertidíssima os monstros que “costumam ser encontrados em todas as casas”.  O primeiro volume cataloga alguns monstros comuns e o segundo complementa a pesquisa.

Pode ser que você ainda não tenha entendido muito bem o motivo do meu entusiasmo, então pra facilitar nossa conversa seguem os nomes de alguns dos monstros apresentados:

Kerulógu – a monstra da impaciência

Nundou – o monstro da possessividade ou monstro do “não quero compartilhar”

Chuá – o monstro da derramação

Stupidus Impulsivus – o monstro da besteira e do temperamento irracional

Roupanik – o monstro da indecisão roupística ou monstro do “o que é que eu vou vestir?”

Aiki Soo Nu – o monstro do cansaço

De Du Dur – o monstro dedo-duro

As Irmãs Formiguim – as monstras das coisas doces

Chip Net – o monstro dos joguinhos eletrônicos

Olho-Gorda – a monstra da inveja

Prend Prend – o monstro dos dedos machucados

Os Gêmeos Criacaso – os monstros dos rolos e quebra-paus

Imagino que agora você já esteja conseguindo ligar o nome à pessoa, ou melhor, ao monstro e até tenha reconhecido um ou outro que, também, habitam sua casa.  

Aqui a descoberta foi tão produtiva que vira e mexe as meninas, principalmente a mais nova, voltam aos livros pra relembrarmos alguns dos nomes e suas características. Começamos, também, a brincadeira, que tem rendido muitas risadas, de identificar os responsáveis por alguns momentos de tensão e desgaste em nossos dias.

Tem sido um tal de “manda a Hister Ica embora!”…. rsrsrs… “olha o Giracuca e o Tagarelus tentando atrapalhar nosso sono”… rsrsrs… “vixi! a May Taka atacou novamente”… rsrsrs….

Os monstros tem proporcionado muitas risadas e isso nos ajuda a espanta-los, afinal são pouquíssimos os monstros, desgastes e tensões que resistem a um bom ataque de risos.

Além disso, ficou bem mais fácil reconhecer o que nos incomoda e dificulta nossas relações, afinal conseguimos nomear e sinalizar uns para os outros nossos comportamentos e atitudes que desagradam e juntos podemos encontrar o melhor antídoto para cada um dos monstros que nos atacam no dia a dia.

  

o início da vida escolar

Minhas filhas começaram a frequentar a escola bem novinhas. A mais velha ingressou no berçário com 14 meses e a caçula com 20 meses, elas eram bebês!

Até hoje, alguns me perguntam o motivo e eu poderia responder que foi porque trabalhava intensamente ou que não tinha outra opção, mas seria meia verdade. As duas foram para a escola cedo porque nós (o pai e eu) escolhemos que assim seria. 

Escolhemos oferecer a elas a oportunidade de conhecer o mundo a partir de suas vivências e de suas escolhas diárias e não apenas das experiências mediadas por nós. Tínhamos a preocupação de que criassem relações e vínculos por elas mesmas, além dos que passam por nós, por nossas avaliações e expectativas.

A mais velha iniciou sua vida escolar quando faltavam alguns meses pra caçula nascer, queríamos que ela tivesse em sua rotina um espaço só seu, um lugar em que não fosse a irmã mais velha, a primeira filha/neta, um ambiente em que ela fosse (re)conhecida por ser quem é.

Eu estava certa de nossa escolha e apesar disso chorei no primeiro dia que a deixei na escola, foi um choro meu (só meu!) no carro, sozinha, constatei que a partir daquele momento a minha pequena seria efetivamente parte do mundo. Pela primeira vez ela estaria sozinha em um ambiente que, em pouco tempo, se tornaria o seu lugar, o primeiro de seus espaços em que eu seria apenas visita.

 

os livros e a leitura

Livros fazem parte da vida da minha história desde sempre.

Lembro de vários que marcaram minha infância e adolescência com carinho especial. Na adultez, eles continuam fundamentais em meu cotidiano, alguns são companheiros de trabalho, outros momentos de lazer, alguns guias de consulta e outros nem me lembro de ter lido.

Gosto de livros de papel (podem me chamar de antiga, atrasada, …) daqueles que têm cheiro, peso e páginas para virar, rabiscar, marcar. Sim! Eu risco e rabisco meus livros, por isso, inclusive, dificilmente peço emprestado. Sei que para alguns é um crime riscar um livro, mas pra mim é uma necessidade, não sei ler sem fazer anotações e sinalizar trechos importantes.

Livros são tão importantes em meu mundo, minha vida, que minhas filhas os conhecem desde muito cedo, lembro delas ainda bem pequenas já manuseando meus livros de trabalho sem o menor pudor.

Em casa elas sempre tiveram acesso livre, assim como nas casas das avós. Tanto minha mãe quanto minha sogra tem pequenas bibliotecas de livros infantis, uma por gosto a outra por profissão, que estão completamente à disposição das netas. Nas três casas os livros ficam em estantes baixas que elas tem acesso e podem pegar e devolver quando querem. Alguns já são clássicos, lidos e relidos inúmeras vezes, outros ainda não foram descobertos.

Meu hábito de riscar e rabiscar os meus livros já gerou alguns probleminhas… as meninas quando eram menores faziam o mesmo, sem entender direito sua função, por simples imitação. Nos livros de casa isso nunca foi proibido, e confesso que até achava bonitinho elas me imitando… já as avós demoraram um pouco pra se acostumar com os rabiscos.

Apesar da presença cotidiana, aqui em casa não fazemos leitura antes de dormir. Acreditamos que livros e leitura merecem total atenção e por isso devem ser aproveitados quando estamos bem acordados e podemos acompanhar a história, os desenhos e complementos. Além disso, nossas leituras costumam provocar emoções, expectativas, curiosidades e outros sentimentos que me parecem incompatíveis com o momento de desligar os motores infantis e adormecer.

Atualmente muitos livros tem sido (re)descobertos e a relação das meninas com a escrita e a leitura está se transformando. A mais velha já quase alfabetizada e a mais nova começando a diferenciar as  letras, então alguns momentos mágicos acontecem em nossos dias.

Ainda existem tentativas de adivinhar as letras e palavras, situações de estranheza com o texto e até cansaço e desistência antes do fim da história, mas aí respiramos fundo, bebemos um gole d’água, às vezes, descansamos e recomeçamos a aventura da leitura. 

casa de las estrellas – el universo contado por los niños

Dias atrás ganhei um exemplar do livro “casa de las estrellas el universo contado por los niños”, estou me deliciando com essa obra fantástica e imagino que em breve escreverei mais a respeito. Enquanto isso te convido a ler a entrevista que o site Universia fez com o autor Javier Naranjo.

 O livro foi publicado pela primeira vez na Colômbia em 1999 e reeditado no início desse ano. Trata-se de um dicionário feito por crianças que apresenta 500 definições para 133 palavras, de A a Z. No dicionário, adulto é uma “pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro de si”, água é uma “transparência que se pode tomar”, um camponês “não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos” e o céu é “de onde sai o dia”.

O autor coletou as informações durante dez anos enquanto trabalhava como professor em diferentes escolas do estado de Antioquía, região rural da Colômbia e, como resultado, obteve um dicionário com verbetes ao mesmo tempo divertidos, lógicos e reais. Em entrevista à Universia, Javier Naranjo disse que não censurou ou alterou nenhuma palavra das definições dos seus alunos. “Apenas corrigi a pontuação e ortografia. O livro mantém a voz literal das crianças”, garantiu.

A seguir, leia a entrevista na íntegra com Javier Naranjo, autor do dicionário “Casa das estrelas: o Universo Contado pelas Crianças”. Para ele, as crianças revelam muitas coisas que os adultos já esqueceram. Confira: continue lendo »