fábula do prato de arroz

Fábulas contam a respeito de nós humanos, nossos modos e atitudes, e nos inspiram possibilidades de melhor viver… aproveitemos!

“Um sujeito enfeitava com flores o túmulo de um parente quando viu um chinês colocando um prato de arroz na lápide vizinha.

Olhando para o chinês, perguntou:

- O senhor acha mesmo que seu defunto virá comer o arroz?

O chinês calma e sabiamente respondeu:

- Sim, no mesmo momento em que o seu vier cheirar as flores.”

o menino da bola

bola

Essa imagem me intrigou e provocou diversos sentimentos, pensamentos e sensações.

Na primeira olhada, senti uma tristeza muito forte, tristeza da solidão de cada um daqueles meninos, começando pelo menino da bola e passando por todos os outros.

Em seguida, surgiu a dúvida: “quem é o diferente aí?” ou seria: “quem é o (in)adequado nessa situação?”.

E logo me dei conta, que a melhor resposta para o meu questionamento seria: “depende do ponto de vista!”.

Do ponto de vista dos garotos, é provável que o menino da bola seja o inadequado, o diferente, o esquisito.

Do nosso ponto de vista de adultos, que “sabemos o que é importante”, certamente surgiriam diversos discursos defendendo a necessidade de todos jogarem juntos, e justificando a importância de tirar essas crianças do virtual, e garantindo que é fundamental que os meninos brinquem em grupo e aprendam a dividir, e outros tantos…

Seja qual for nosso olhar para a situação o mais comum é pensarmos em certos e errados, adequados e inadequados e dificilmente nos damos conta de que cada um faz suas escolhas e de que cada um tem suas preferências e peculiaridades.

Se aprendermos (e ensinarmos!) desde cedo a nos colocarmos no lugar do outro, a olhar por outros ângulos, será possível considerar nossas escolhas e diversidades e seremos, no mínimo, um povo mais tolerante e respeitoso.

por que você não é igual a todo mundo?!?

Por que você não é igual a todo mundo?!?

Diversos pais e mães já perguntaram isso aos seus filhos e outros pensaram e não tiveram oportunidade, ou coragem, de verbalizar.

Essa é uma pergunta que nasce cheia de angústia, muitas vezes surge como desabafo outras como agressão e costuma vir em explosão, aquela da preocupação, da frustação, da expectativa de que o filho se enquadre nos padrões de desenvolvimento que estão por aí e foram estabelecidos considerando a média da população e ignorando a existência da diversidade.

Enquanto gestamos um filho, imaginamos como ele será, quais serão suas preferências, com quem vai se parecer, como será seu jeito, … sempre baseados em como gostaríamos que fosse, em nossos desejos.

Muitos pais enquanto esperam a chegada do filhote lêem, pesquisam, estudam sobre desenvolvimento infantil, conversam com todos os conhecidos e querem saber tudo… quando vai andar, falar, se vai dormir bem, se vai aprender a ler depressa, se… e depois que nasce, então… aí aumentam as dúvidas e começam as comparações, é um tal de “com o filho da Fulana foi bem diferente”, “a filha da Cicrana andou mais cedo que a minha”, “a neta da Maricota já sabe ler”… e as dúvidas e angústias surgem e se multiplicam.

De repente, aparece alguém e nos lembra que cada um é cada um, com seu jeito, seu tempo, suas atitudes, suas escolhas … e que com nosso filho não será diferente, ele terá que descobrir seu modo, encontrar seu caminho e suas preferências. E que, por mais que seja difícil e dolorido, seremos obrigados a aceitar que ele nunca será igual a todo mundo, afinal ele não é filho de todo mundo e sim o filho de cada um de nós. 

seres diversos e suas peculiaridades

Somos seres diversos (é sempre bom lembrar disso!) e como tal temos nossas peculiaridades, que ao serem (re)conhecidas e respeitadas nos tornam pessoas mais autênticas e autônomas.

É muito importante que nossas crianças aprendam a respeito de si próprias desde cedo, descubram que são diferentes dos outros e que a diversidade, por mais que cause estranheza, é parte de nossas vidas e é sim possível aproveita-la.

Para falar sobre diversidade com crianças, podemos utilizar histórias (existem excelentes contos a respeito), criar belos exemplos, fazer analogias, mas o que efetivamente ensina sobre a diferença é vive-la e autentica-la.

Quando a menina apaixonada por princesas descobre que sua mãe não é uma delas, não gostaria de ser, e nem vestidos ela usa.

Quando o garoto percebe que os dinossauros que o encantam não provocam nenhuma emoção em seus primos.

Quando o menino introspectivo e calado descobre que a colega falante pode ser sua parceira de brincadeiras.

Quando a criança de cabelos lisos e loiros percebe que seu irmão tem cachinhos castanhos.

Quando a garota que gosta muito de frutas conhece outra que prefere legumes.

Situações cotidianas nos dão referência de que a diferença faz parte de nossas vidas desde sempre, por isso vale a pena aproveitar as experiência do dia a dia para sinalizar nossas peculiaridades.

Alguns afirmam ser cruel dizer para uma criança que ela realmente é diferente da maioria das pessoas, eu acredito que crueldade mesmo é tentar faze-la acreditar ser quem não é. 

pé de laranja não dá abacate

Tenho uma amiga que costuma dizer que “pé de laranja não dá abacate”, outros garantem que “filho de peixe, peixinho é”, existem os que profetizam que “quem sai aos seus não degenera”, os mais dramáticos preferem afirmar que “sangue não é água”, seja qual for o provérbio ou a forma de expressar o que vale é a expectativa de que sejamos parecidos com nossos pais e nossas famílias. 

É muito comum nos preocuparmos em saber, ver e decidir com quem cada bebê se parece assim que nasce. É um tal de “é a cara da mãe”, ou “os olhos são do pai e o nariz é do avô”, ou “essa é uma boa mistura dos pais” … isso quando não começamos a procurar fotos e vídeos que possam servir para comparação.

Quando a criança cresce e demonstra comportamentos, atitudes e jeitos que se assemelham a um e/ou a outro, mais uma vez começam as comparações… “parece a avó”, “nervosinha igual à tia”, “vixi! o pai também era assim”… e então histórias são (re)lembradas e aproveitadas para mostrar o quão parecida a criança é com alguém de sua família.

Muitas vezes ficamos tão encantados com as semelhanças que esquecemos que a  criança é um ser único, um indivíduo diferente de todos os outros. E que por mais que seja filha de seu pai e sua mãe a criança sempre será mais do que a simples soma dessas duas pessoas.

Cada um de nós é um ser único, que recebe como herança características, jeitos e crenças dos pais e famílias e também está o tempo todo sendo influenciado pelo meio em que vive, as pessoas com quem se relaciona e os afetos, cuidados e aprendizagem que recebe.

Acho muito importante lembrarmos disso para não perdermos de vista que somos sim muito parecidos e também muito diferentes, sempre! 

acredito na diversidade!

Gosto muito de pensar em nós humanos como bolinhas numa piscina gigante em que as cores se misturam e formam um belo conjunto colorido, no qual o diferente é complemento de uma obra maior.

 

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Acredito que a diversidade é fundamental para nosso desenvolvimento.  Tanto faz se a diferença é de ideias, interesses, credos, raças, sexual, o importante é convivermos e aprendermos com o diferente.

Crianças precisam conhecer a diversidade para respeita-la. Alguém só é capaz de respeitar e suportar a diferença se isso fizer parte de sua vida e de suas relações.

 

 

diferentes, apenas diferentes

Fico intrigada quando converso com alguém que ainda acredita que homens e mulheres podem ser melhores ou piores entre si, simplesmente por serem quem são.

Acredito, desde muito jovem, que homens e mulheres são seres bastante diversos em suas formas de estar no mundo, e quando penso nessa diversidade tenho certeza que são apenas diferentes e nada mais, não são melhores ou piores, mais isso ou aquilo, ou ainda, menos tal do que qual.

Acho muito curioso quando encontro pessoas, ditas instruídas e cultas, que tentam me convencer, por exemplo, de que nós mulheres somos melhores ou mais fortes que os homens porque somos capazes de gerar filhos, que só nós mulheres seríamos capazes de suportar uma gestação e que se dependesse dos homens a humanidade já teria sido extinta. Realmente os homens não tem essa competência, é fato! E quem foi que disse que isso os torna menores que nós????

Será que é mesmo mais importante gerar um filho do que ser capaz de amar um ser ao qual você é apresentado e concretamente não tem nenhum vinculo físico, a não ser a informação de que você é parte responsável pela concepção daquele ser.

Fico imaginando qual a mistura de sentimentos e sensações só um homem pode ter quando é apresentado a seu filho, aquele ser que ele idealizou, ou não, que ele aguardou, ou não, e que de repente lhe é apresentado como sendo obra sua.

Sei, conheço, a emoção e a experiência que eu, mãe, vivi quando minhas filhas nasceram, lembro-me da esquisitice de encontrar aquele ser que esteve dentro de mim e com quem me comunicava por pensamentos e palavras e que me respondia com chutes e cutucões, e que agora estava ali na minha frente, e a partir de então começava uma nova relação comigo, com novos códigos de comunicação.

E tenho certeza que a experiência do pai das minhas filhas é muito diversa da minha, afinal antes ele só interagia com aquele ser através de mim e a partir de seu nascimento eles passaram a ter a relação deles independente de mim.

Esta situação e tantas outras que vivemos no dia-dia me dão a certeza de que somos diferentes sim, e nada mais que isso, apenas diversos.