a escolha da escola

Ano passado minha filha mais velha encerrou o ciclo do ensino infantil e iria para o fundamental, por isso fomos em busca de escola perfeita para matricula-la.

Imaginávamos que a escola perfeita não existiria, até que nos demos conta de que perfeito pode ser entendido, também, como aquele que apresenta as melhores qualidades e não apenas aquele em que não há defeitos. Sendo assim… Ficou mais fácil, afinal quem define quais são as melhores qualidades para nossa família somos nós mesmos.

Para tornar a escolha mais tranquila (ou menos angustiante?!) visitamos diversas escolas, e buscamos encontrar a que mais combinasse com nossas crenças e expectativas familiares.

Antes das visitas estabelecemos alguns critérios e criamos um roteiro de itens a observar e perguntas a fazer, em cada uma delas. No início imaginávamos que seriam visitas parecidas entre si, afinal tínhamos definido as questões e expectativas (pensei que pelo menos desta vez conseguiríamos ser absolutamente objetivos!).

É claro que não conseguimos responder todas as perguntas, na maioria das escolas, e isso foi um ótimo sinalizador e facilitador da escolha.

Quando começamos a busca tínhamos referências antigas e recentes, conversei com amigas sobre suas experiências e com minha sogra que é professora na rede pública e conhece bem os bastidores da educação na cidade em que vivemos.

De minha sogra ouvi notícias do tipo: “lá eles não pagam em dia os professores”, “acolá a coordenação respeita muito a equipe e promove vários cursos de aperfeiçoamento”, “ih! Naquela os professores têm que se virar, pois não há incentivo”, “aquela coordenadora é sensacional!”, “naquela professor desmotivado não tem vez”, e outras tantas.

Por questões de agenda, meu marido e eu decidimos que eu faria as visitas e conversaríamos a respeito de cada uma delas antes de escolhermos duas ou três para visitarmos juntos, afinal temos certeza que cada um tem um jeito diferente de olhar, cheirar, sentir, pensar, escolher, …

Liguei para todas as escolas para ter as primeiras informações e saber se seria necessário marcar horário para as visitas ou se bastava chegar e seria atendida.

Esses telefonemas foram bastante importantes, pois me possibilitaram uma primeira impressão de cada uma das escolas, quais tinham as secretarias preparadas comercialmente para receber novos alunos e como reagiam às perguntas de uma mãe curiosa.

Comecei as visitas pela escola que imaginava ser a mais parecida com nossas expectativas; em seguida fui a uma que tinha excelentes referências; depois a outra que era nova, recém-inaugurada; passei por algumas que nem me lembro bem e por outras que me frustraram; por fim, conheci uma que me encantou e criou em mim novas dúvidas.

As visitas possibilitaram que eu questionasse minhas expectativas, que (re)definisse o que estava procurando e que fizesse descobertas interessantes, que compartilho e espero que você aproveite como considerar melhor.

Em algumas escolas existe um funcionário responsável pela apresentação do espaço físico, que descreve todos os detalhes, conduz o visitante e não responde nada sobre o processo educacional. Em outras a visita é guiada pela coordenadora e/ou diretora, que aproveita o trajeto para falar a respeito da proposta pedagógica, das atividades (extra)curriculares, do perfil dos alunos, dos professores e muito sobre a vida naquele ambiente.

Em umas o ateliê de artes convida a criatividade a crescer dentro de nós (e das crianças, eu imagino!), e em outras as atividades artísticas são desenvolvidas na própria sala de aula (o mesmo acontece para as aulas de musicalização e expressão corporal/dança).

Existem escolas em que há duas bibliotecas, uma para alunos do Ensino Infantil e Fundamental I e outra para Fundamental II e Médio, em outras há apenas uma biblioteca para todos os alunos. A biblioteca pode ser um lugar aconchegante e silencioso ou apenas mais um dos espaços de convivência.

Algumas escolas que têm corredores enfeitados com trabalhos dos alunos e salas de aulas decoradas e com carteiras em tamanho adequado para a idade e estatura dos alunos que as usarão. Outras aproveitam as mesmas salas para diversas turmas e por isso as mantém bastante impessoais e frias, assim como os espaços comuns.

Umas são cheirosas, esterilizadas e silenciosas, outras levemente barulhentas e com cheiro de vida, e algumas absurdamente barulhentas e quase fedidas.

Existem escolas que têm jardins e áreas verdes de convivência (com direito a insetos e pequenos animais), outras são de concreto e sem espaço para atividades ao ar livre. As cores também podem estar presentes ou ausentes nos prédios.

Algumas escolas têm estacionamento para os pais ficarem confortavelmente acomodados nos momentos de entrada e saída dos alunos, outras têm sistema de “entrega de criança” em que os pais não precisam nem desligar seus carros para deixar e pegar seus filhos. E também existem aquelas em que os pais têm que se virar para estacionar e vão ao portão buscar os filhos que ficam esperando com suas professoras, que estão disponíveis para conversar, caso necessário.

Em muitas o material pedagógico é padronizado/apostilado e todos os alunos devem seguir o ritmo estabelecido para o cumprimento integral do conteúdo; em outras o material é o mapa a ser seguido, aproveitado no ritmo de cada turma e que pode ser complementado conforme as curiosidades, competências e peculiaridades de cada grupo de alunos.

Algumas escolas têm a expectativa de interação e participação constante dos pais e outras nem tanto.

O ano letivo pode ser dividido em trimestres ou bimestres. E as avaliações podem ser feitas com notas ou conceitos, dependendo da proposta.

Existem escolas com caraterísticas tão peculiares que até é difícil descrever, e outras que se definem como bilíngues, biculturais, religiosas, agnósticas, não doutrinárias, sócio-construtivistas, tradicionais, ecléticas, … muitas vezes as descrições são contraditórias e o discurso é incoerente, porém é a forma como cada uma se apresenta, e este é mais um bom sinalizador do ambiente educacional existente.

Aquela maratona de visitas e conversas me possibilitou a certeza de que existem escolas para todos os gostos, tipos e crenças e que cada um de nós fará a escolha baseado em expectativas, desejos e critérios pessoais e familiares, sempre!

 

2 pensamentos em “a escolha da escola

  1. Bru, adorei o texto!!!
    Amei qdo vc diz q cada um cheira diferente, hahahaha, isso eu nunca tinha parado pra pensar. Apesar de saber q ha cheiros q agradam uns e nao agradam outros, nunca foi uma coisa tao consciente, hahahahahaha.
    Soh queria te dizer uma coisa curiosa… a saga q vc fez ao vivo, eu fiz por telefone e consegui perceber tudo isso q vc disse, cre? Achei interessante!!!
    Agora tenho duas escolinhas pra visitar qdo chegar ;-)
    hihi
    Bom, se ao vivo nao m agradarem, recomecarei a saga, mas creio q essas duas tem bastante do q achamos importante pra nossa familia =)
    Bjao

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