mãe e… licença paternidade

Sempre que leio e/ou ouço notícias a respeito do aumento do tempo da licença paternidade me questiono se estamos preparados para isso. Penso em todas as dificuldades que vivemos no Brasil, nas diferenças sociais e culturais e nas influências que uma lei como esta pode ter na vida das pessoas comuns.

Eu tenho um companheiro super presente e não foi diferente no nascimento de nossas duas filhas. Como sabíamos que por direito seriam apenas 5 dias de licença, ele se organizou para estar de férias nas duas ocasiões.

Você pode dizer que tivemos sorte, que não é todo pai que trabalha em empresa correta que possibilita que agende férias para o período que deseja, que isso é uma exceção. Realmente não é todo pai que consegue se organizar para estar presente nos primeiros dias de vida de seu filho, mas conheço alguns que conseguiram e não são poucos.

Acredito que para muitas famílias a alteração da lei seria um benefício incalculável, que traria melhores condições de adaptação, que os bebês teriam mais atenção em seus primeiros dias, que as mães se sentiriam mais cuidadas, que os pais poderiam acolher seus filhos de forma integral e que existiriam diversas vantagens para as diferentes famílias.

Agora, te convido para considerarmos aquelas famílias em que o pai não tem interesse em se aproximar de seus filhos, em que os homens acreditam que os cuidados com o bebê são tarefa de mulher, assim como cozinhar, lavar, passar e arrumar a casa. Aquelas famílias que (infelizmente!) ainda são a maioria em nosso país, nas quais a mulher fica sobrecarregada cada vez que um filho nasce, afinal já tem outros tantos para cuidar e educar.

Eu conheço, e imagino que você também conheça, inúmeras famílias em que o homem (o macho!) quando está de folga do trabalho fica sentado assistindo televisão e esperando que a mulher o sirva, ou que nesses dias de descanso sai de casa logo cedo e só volta no fim do dia, muitas vezes embriagado, com cobranças e exigências, ou ainda aqueles que dormem e dizem que precisam descansar e que todos devem ficar em silêncio para não incomodar. Imagine como essa realidade ficaria ainda mais difícil caso esses homens tivessem licença paternidade de 30 dias ao nascimento de cada filho. 

Neste momento, você pode dizer que se mantivermos esse raciocínio nunca iremos melhorar as nossas condições de vida, não conseguiremos garantir nossos e novos direitos, nem possibilitaremos vidas mais dignas às pessoas e suas famílias. Mais uma vez, concordo que isso realmente aconteceria se nos limitássemos a acreditar que a lei deve ou não ser aprovada e cumprida, que a licença paternidade deve ou não ser ampliada, que esta lei, ou qualquer outra, resolverá isso ou aquilo, esquecendo de considerar que para cada novidade precisamos nos educar, aprender outros jeitos de estar nessas novas e desconhecidas situações, recontratar, deixarmos de ser como somos, nos reinventarmos, nos atualizarmos. 

 

Um pensamento em “mãe e… licença paternidade

  1. Oi Bruna, fiquei aqui pensando, que é verdade quantos homens acreditam que de fato não precisam se ocupar dessas tarefas, uma vez que cabe a nós “as mulheres” . E já ouvi também de algumas mulheres que elas deixam que o “pai”participe, claro que sempre sobre muita supervisão.
    Vivi a experiência de família com um parceiro, semelhante a sua.
    E talvez por ser outros tempos, com um estranhamento, e uma fala cruel de que meu marido se submetia aos meus “mandos”e caprichos.
    Penso que assim como as Maēs, os Pais quando querem se embrenhar nessa tarefa de aprender trocar, mexer e revirar e tudo mais que envolve ter um filho, se organiza e faz o seu melhor.
    A lei com certeza seria bem vinda de qualquer forma, pois possibilitaria a leitura de uma nova família, que o filho inaugura, para termos direito legal de cuidarmos também da Maē e do Pai.
    Penso também que muitos usariam de forma inadequada, e é claro que não podemos conter os milhares de seres que colocam filhos no mundo e não cuidam.
    Precisamos sim resgatar que algumas vivências não ficarão para sempre e merecem sim o nosso olhar amoroso e dedicação. Que quando nos organizamos em família além de ter com quem compartilhar, tornamos a experiência da troca rica, e testemunhamos as alegrias e angustias, ter parceria do pai e contar com o companheiro é muito bom, inclusive para não termos aquela sensação confirmada de que somos insubstituíveis .
    São só uns pitacos, nessa questão que é sim complexa e precisa ser pensada.
    Obrigada

    Bjs

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