deixaria o final do texto assim

Nos últimos dias, vários queridos me recomendaram a leitura do texto O que acontece quando você fica elogiando a inteligência de uma criança de Wagner Brenner.

 Li, gostei muito e faria pequenas alterações, na verdade acrescentaria duas palavras fundamentais num parágrafo e mais algumas em outro, e deixaria o final do texto assim:

Se você tem um filho, um sobrinho, ou um amigo pequeno, não diga apenas que ele é inteligente. Diga também que ele é esforçado, aventureiro, descobridor, fuçador, persistente.


Celebre o sucesso, mas não esqueça de comemorar também o fracasso seguido de nova tentativa, após ter sentido a dor e descoberto que ele também é importante em sua vida. 

por que você não é igual a todo mundo?!?

Por que você não é igual a todo mundo?!?

Diversos pais e mães já perguntaram isso aos seus filhos e outros pensaram e não tiveram oportunidade, ou coragem, de verbalizar.

Essa é uma pergunta que nasce cheia de angústia, muitas vezes surge como desabafo outras como agressão e costuma vir em explosão, aquela da preocupação, da frustação, da expectativa de que o filho se enquadre nos padrões de desenvolvimento que estão por aí e foram estabelecidos considerando a média da população e ignorando a existência da diversidade.

Enquanto gestamos um filho, imaginamos como ele será, quais serão suas preferências, com quem vai se parecer, como será seu jeito, … sempre baseados em como gostaríamos que fosse, em nossos desejos.

Muitos pais enquanto esperam a chegada do filhote lêem, pesquisam, estudam sobre desenvolvimento infantil, conversam com todos os conhecidos e querem saber tudo… quando vai andar, falar, se vai dormir bem, se vai aprender a ler depressa, se… e depois que nasce, então… aí aumentam as dúvidas e começam as comparações, é um tal de “com o filho da Fulana foi bem diferente”, “a filha da Cicrana andou mais cedo que a minha”, “a neta da Maricota já sabe ler”… e as dúvidas e angústias surgem e se multiplicam.

De repente, aparece alguém e nos lembra que cada um é cada um, com seu jeito, seu tempo, suas atitudes, suas escolhas … e que com nosso filho não será diferente, ele terá que descobrir seu modo, encontrar seu caminho e suas preferências. E que, por mais que seja difícil e dolorido, seremos obrigados a aceitar que ele nunca será igual a todo mundo, afinal ele não é filho de todo mundo e sim o filho de cada um de nós. 

ser mãe é padecer num paraíso!

Ser mãe é padecer num paraíso!

Essa é uma expressão muito conhecida e até repetida por algumas de nós, afinal que mãe nunca se sentiu assim?

O que nem todo mundo sabe é que este é apenas um trecho do belo soneto “Ser Mãe” escrito, em 1920, por Henrique Maximiano Coelho Neto* e que apresenta outras afirmações bastante verdadeiras e ainda atuais.

Segue o soneto completo para que você (re)leia e (re)lembre que ser mãe é muito mais do que apenas padecer num paraíso.

Ser Mãe

Ser mãe é desdobrar fibra por fibra

o coração! Ser mãe é ter no alheio

lábio que suga, o pedestal do seio,

onde a vida, onde o amor, cantando, vibra.

Ser mãe é ser um anjo que se libra

sobre um berço dormindo! É ser anseio,

é ser temeridade, é ser receio,

é ser força que os males equilibra!

Todo o bem que a mãe goza é bem do filho,

espelho em que se mira afortunada,

Luz que lhe põe nos olhos novo brilho!

Ser mãe é andar chorando num sorriso!

Ser mãe é ter um mundo e não ter nada!

Ser mãe é padecer num paraíso.

 

*Henrique Maximiano Coelho Neto – escritor e político brasileiro que nasceu no Maranhão, dia 20 de fevereiro de 1864 e faleceu no Rio de Janeiro dia 28 de novembro de 1934. Escreveu mais de cem livros e aproximadamente 650 contos. Foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras, ocupou a cadeira nº2.  Para saber mais clique aqui.

 

seres diversos e suas peculiaridades

Somos seres diversos (é sempre bom lembrar disso!) e como tal temos nossas peculiaridades, que ao serem (re)conhecidas e respeitadas nos tornam pessoas mais autênticas e autônomas.

É muito importante que nossas crianças aprendam a respeito de si próprias desde cedo, descubram que são diferentes dos outros e que a diversidade, por mais que cause estranheza, é parte de nossas vidas e é sim possível aproveita-la.

Para falar sobre diversidade com crianças, podemos utilizar histórias (existem excelentes contos a respeito), criar belos exemplos, fazer analogias, mas o que efetivamente ensina sobre a diferença é vive-la e autentica-la.

Quando a menina apaixonada por princesas descobre que sua mãe não é uma delas, não gostaria de ser, e nem vestidos ela usa.

Quando o garoto percebe que os dinossauros que o encantam não provocam nenhuma emoção em seus primos.

Quando o menino introspectivo e calado descobre que a colega falante pode ser sua parceira de brincadeiras.

Quando a criança de cabelos lisos e loiros percebe que seu irmão tem cachinhos castanhos.

Quando a garota que gosta muito de frutas conhece outra que prefere legumes.

Situações cotidianas nos dão referência de que a diferença faz parte de nossas vidas desde sempre, por isso vale a pena aproveitar as experiência do dia a dia para sinalizar nossas peculiaridades.

Alguns afirmam ser cruel dizer para uma criança que ela realmente é diferente da maioria das pessoas, eu acredito que crueldade mesmo é tentar faze-la acreditar ser quem não é. 

mãe e… licença paternidade

Sempre que leio e/ou ouço notícias a respeito do aumento do tempo da licença paternidade me questiono se estamos preparados para isso. Penso em todas as dificuldades que vivemos no Brasil, nas diferenças sociais e culturais e nas influências que uma lei como esta pode ter na vida das pessoas comuns.

Eu tenho um companheiro super presente e não foi diferente no nascimento de nossas duas filhas. Como sabíamos que por direito seriam apenas 5 dias de licença, ele se organizou para estar de férias nas duas ocasiões.

Você pode dizer que tivemos sorte, que não é todo pai que trabalha em empresa correta que possibilita que agende férias para o período que deseja, que isso é uma exceção. Realmente não é todo pai que consegue se organizar para estar presente nos primeiros dias de vida de seu filho, mas conheço alguns que conseguiram e não são poucos.

Acredito que para muitas famílias a alteração da lei seria um benefício incalculável, que traria melhores condições de adaptação, que os bebês teriam mais atenção em seus primeiros dias, que as mães se sentiriam mais cuidadas, que os pais poderiam acolher seus filhos de forma integral e que existiriam diversas vantagens para as diferentes famílias.

Agora, te convido para considerarmos aquelas famílias em que o pai não tem interesse em se aproximar de seus filhos, em que os homens acreditam que os cuidados com o bebê são tarefa de mulher, assim como cozinhar, lavar, passar e arrumar a casa. Aquelas famílias que (infelizmente!) ainda são a maioria em nosso país, nas quais a mulher fica sobrecarregada cada vez que um filho nasce, afinal já tem outros tantos para cuidar e educar.

Eu conheço, e imagino que você também conheça, inúmeras famílias em que o homem (o macho!) quando está de folga do trabalho fica sentado assistindo televisão e esperando que a mulher o sirva, ou que nesses dias de descanso sai de casa logo cedo e só volta no fim do dia, muitas vezes embriagado, com cobranças e exigências, ou ainda aqueles que dormem e dizem que precisam descansar e que todos devem ficar em silêncio para não incomodar. Imagine como essa realidade ficaria ainda mais difícil caso esses homens tivessem licença paternidade de 30 dias ao nascimento de cada filho. 

Neste momento, você pode dizer que se mantivermos esse raciocínio nunca iremos melhorar as nossas condições de vida, não conseguiremos garantir nossos e novos direitos, nem possibilitaremos vidas mais dignas às pessoas e suas famílias. Mais uma vez, concordo que isso realmente aconteceria se nos limitássemos a acreditar que a lei deve ou não ser aprovada e cumprida, que a licença paternidade deve ou não ser ampliada, que esta lei, ou qualquer outra, resolverá isso ou aquilo, esquecendo de considerar que para cada novidade precisamos nos educar, aprender outros jeitos de estar nessas novas e desconhecidas situações, recontratar, deixarmos de ser como somos, nos reinventarmos, nos atualizarmos. 

 

pé de laranja não dá abacate

Tenho uma amiga que costuma dizer que “pé de laranja não dá abacate”, outros garantem que “filho de peixe, peixinho é”, existem os que profetizam que “quem sai aos seus não degenera”, os mais dramáticos preferem afirmar que “sangue não é água”, seja qual for o provérbio ou a forma de expressar o que vale é a expectativa de que sejamos parecidos com nossos pais e nossas famílias. 

É muito comum nos preocuparmos em saber, ver e decidir com quem cada bebê se parece assim que nasce. É um tal de “é a cara da mãe”, ou “os olhos são do pai e o nariz é do avô”, ou “essa é uma boa mistura dos pais” … isso quando não começamos a procurar fotos e vídeos que possam servir para comparação.

Quando a criança cresce e demonstra comportamentos, atitudes e jeitos que se assemelham a um e/ou a outro, mais uma vez começam as comparações… “parece a avó”, “nervosinha igual à tia”, “vixi! o pai também era assim”… e então histórias são (re)lembradas e aproveitadas para mostrar o quão parecida a criança é com alguém de sua família.

Muitas vezes ficamos tão encantados com as semelhanças que esquecemos que a  criança é um ser único, um indivíduo diferente de todos os outros. E que por mais que seja filha de seu pai e sua mãe a criança sempre será mais do que a simples soma dessas duas pessoas.

Cada um de nós é um ser único, que recebe como herança características, jeitos e crenças dos pais e famílias e também está o tempo todo sendo influenciado pelo meio em que vive, as pessoas com quem se relaciona e os afetos, cuidados e aprendizagem que recebe.

Acho muito importante lembrarmos disso para não perdermos de vista que somos sim muito parecidos e também muito diferentes, sempre! 

quando não é dia dos pais

O dia dos pais passou, a festa acabou e muitas de nós que nos dedicamos a esta data, presenteamos, agradecemos, homenageamos os pais de nossos filhos, nem nos demos conta de que um dia só é pouco.

Nesta data costumamos bem dizer as qualidades, exaltar as responsabilidades, agradecer a parceria e muitas vezes nem percebemos que em boa parte do tempo reclamamos, queixamos e exigimos que eles sejam mais presentes, que participem mais.

Penso em tantas mulheres queridas que, com a melhor das intenções, afastam o pai do filho, dificultam seus cuidados e simultaneamente cobram e culpam a falta de dedicação.

Infelizmente muitas de nós ainda acreditamos que homens são desajeitados e brutos e por isso não tem condições de cuidar de um filho e, baseadas nessa crença, dificultamos a aproximação e o aprendizado.

O pai terá mais chance de ser participante e atuante se aprender (assim como nós também aprendemos!), se for exposto às esquisitices dos primeiros dias, se tiver a oportunidade de acertar e errar no cotidiano de seu filho e se nós formos capazes de suportar seus erros, auxiliar nas dificuldades e reconhecer seus acertos.

Muitas vezes sentimos um “frio na barriga” ao vermos o pai cuidando de nosso filhote, ficamos lá fiscalizando suas ações, corrigindo seus modos e tentando garantir que saia tudo conforme gostaríamos. Nessas ocasiões é comum esquecermos que o pai está fazendo o seu melhor e que por mais que orientemos o “nosso jeito certo de fazer” ele só será capaz de fazer do seu modo, com a sua competência e que certamente será diferente da nossa, afinal somos seres diversos (lembra!?).

 

pra mim, amamentar não foi tão fácil assim!

No início de minha formação profissional, fiz estágio numa maternidade e uma das responsabilidades que o setor de psicologia tinha era o incentivo ao aleitamento materno. Durante aqueles anos aprendi muito sobre o tema, sua importância, algumas técnicas e cuidados que garantiam o sucesso da amamentação.

Com o conhecimento técnico e a habilidade adquiridos, antes de ser mãe e durante a gestação, eu acreditava que minha filha seria alimentada exclusivamente com leite materno até os 6 meses, e após esse período manteríamos o aleitamento por um longo tempo.

Minha primeira filha nasceu linda, fofa, super bem e claro que começou a ser amamentada por mim no mesmo dia, tudo como manda o figurino. Era muito tranquilo, ela mamava e dormia sossegadamente, dormia bastante e eu iniciante achava aquilo ótimo, cheguei até a pensar que tinham me enganado e que tudo era tão fácil. Até que uma noite, sua 7ª noite de vida, foi um terror… a criança só chorava e nada a acalmava a não ser mamar, eu a colocava no peito e ela mamava, mamava e dormia, passavam alguns minutos acordava aos berros e voltava a mamar… foi terrível!!!

Por sorte, no dia seguinte tínhamos a primeira consulta com a pediatra e foi aí que comecei a descobrir que não tinham me contado toda a verdade… minha pequena tinha emagrecido muito desde que nasceu e a tal mamoplastia redutora que eu havia feito anos antes (e que muitos me garantiam que não iria interferir) parecia ser a grande complicadora do processo. Depois de várias observações e possibilidades descobrimos que o ideal seria o aleitamento misto. Nossa sorte foi que escolhemos uma pediatra (fantástica!) que respeita genuinamente seus pacientes e pais e que nos acompanhou no processo que foi bastante complexo, porém possível.

A orientação foi que continuasse com a amamentação em intervalos regulares e ao final de cada uma delas oferecesse uma quantidade de fórmula láctea, assim caso a bebê ainda tivesse fome complementaria a mamada.

Nos primeiros dias me senti muito mal com aquela situação, era um combinado de frustração e tristeza por não ser capaz de alimentar minha filha exclusivamente com meu leite e receio de que ela “largasse o peito”.  Depois fui descobrindo que a pediatra tinha razão e que este processo estava fazendo bem pra bebê, pra mim e pra nossa relação.

Alguns diriam que não teria sido necessário oferecer a fórmula láctea, que deveríamos ter insistido em outras possibilidades e que a mamoplastia redutora não é empecilho para o aleitamento exclusivo, e essas pessoas podem até ter razão. Porém conosco foi assim, adotamos o aleitamento misto e o mantivemos por 7 meses e meio, foi nossa escolha e o melhor que poderíamos ter feito por nós naquele momento.

monstros caseiros

Dias atrás uma amiga querida recomendou um livro que, imediatamente, me encantou pelo nome “pequeno manual de monstros caseiros” (se você ainda não conhece, e tem crianças em sua vida, precisa conhecer!), fiquei curiosa, fui descobrir do que se tratava, o encantamento aumentou, encomendei, ele chegou, as menina e eu lemos e o encantamento virou paixão.

São dois livros simples, bonitos e cheios de emoções, que nos apresentam de forma divertidíssima os monstros que “costumam ser encontrados em todas as casas”.  O primeiro volume cataloga alguns monstros comuns e o segundo complementa a pesquisa.

Pode ser que você ainda não tenha entendido muito bem o motivo do meu entusiasmo, então pra facilitar nossa conversa seguem os nomes de alguns dos monstros apresentados:

Kerulógu – a monstra da impaciência

Nundou – o monstro da possessividade ou monstro do “não quero compartilhar”

Chuá – o monstro da derramação

Stupidus Impulsivus – o monstro da besteira e do temperamento irracional

Roupanik – o monstro da indecisão roupística ou monstro do “o que é que eu vou vestir?”

Aiki Soo Nu – o monstro do cansaço

De Du Dur – o monstro dedo-duro

As Irmãs Formiguim – as monstras das coisas doces

Chip Net – o monstro dos joguinhos eletrônicos

Olho-Gorda – a monstra da inveja

Prend Prend – o monstro dos dedos machucados

Os Gêmeos Criacaso – os monstros dos rolos e quebra-paus

Imagino que agora você já esteja conseguindo ligar o nome à pessoa, ou melhor, ao monstro e até tenha reconhecido um ou outro que, também, habitam sua casa.  

Aqui a descoberta foi tão produtiva que vira e mexe as meninas, principalmente a mais nova, voltam aos livros pra relembrarmos alguns dos nomes e suas características. Começamos, também, a brincadeira, que tem rendido muitas risadas, de identificar os responsáveis por alguns momentos de tensão e desgaste em nossos dias.

Tem sido um tal de “manda a Hister Ica embora!”…. rsrsrs… “olha o Giracuca e o Tagarelus tentando atrapalhar nosso sono”… rsrsrs… “vixi! a May Taka atacou novamente”… rsrsrs….

Os monstros tem proporcionado muitas risadas e isso nos ajuda a espanta-los, afinal são pouquíssimos os monstros, desgastes e tensões que resistem a um bom ataque de risos.

Além disso, ficou bem mais fácil reconhecer o que nos incomoda e dificulta nossas relações, afinal conseguimos nomear e sinalizar uns para os outros nossos comportamentos e atitudes que desagradam e juntos podemos encontrar o melhor antídoto para cada um dos monstros que nos atacam no dia a dia.

  

o início da vida escolar

Minhas filhas começaram a frequentar a escola bem novinhas. A mais velha ingressou no berçário com 14 meses e a caçula com 20 meses, elas eram bebês!

Até hoje, alguns me perguntam o motivo e eu poderia responder que foi porque trabalhava intensamente ou que não tinha outra opção, mas seria meia verdade. As duas foram para a escola cedo porque nós (o pai e eu) escolhemos que assim seria. 

Escolhemos oferecer a elas a oportunidade de conhecer o mundo a partir de suas vivências e de suas escolhas diárias e não apenas das experiências mediadas por nós. Tínhamos a preocupação de que criassem relações e vínculos por elas mesmas, além dos que passam por nós, por nossas avaliações e expectativas.

A mais velha iniciou sua vida escolar quando faltavam alguns meses pra caçula nascer, queríamos que ela tivesse em sua rotina um espaço só seu, um lugar em que não fosse a irmã mais velha, a primeira filha/neta, um ambiente em que ela fosse (re)conhecida por ser quem é.

Eu estava certa de nossa escolha e apesar disso chorei no primeiro dia que a deixei na escola, foi um choro meu (só meu!) no carro, sozinha, constatei que a partir daquele momento a minha pequena seria efetivamente parte do mundo. Pela primeira vez ela estaria sozinha em um ambiente que, em pouco tempo, se tornaria o seu lugar, o primeiro de seus espaços em que eu seria apenas visita.