os livros e a leitura

Livros fazem parte da vida da minha história desde sempre.

Lembro de vários que marcaram minha infância e adolescência com carinho especial. Na adultez, eles continuam fundamentais em meu cotidiano, alguns são companheiros de trabalho, outros momentos de lazer, alguns guias de consulta e outros nem me lembro de ter lido.

Gosto de livros de papel (podem me chamar de antiga, atrasada, …) daqueles que têm cheiro, peso e páginas para virar, rabiscar, marcar. Sim! Eu risco e rabisco meus livros, por isso, inclusive, dificilmente peço emprestado. Sei que para alguns é um crime riscar um livro, mas pra mim é uma necessidade, não sei ler sem fazer anotações e sinalizar trechos importantes.

Livros são tão importantes em meu mundo, minha vida, que minhas filhas os conhecem desde muito cedo, lembro delas ainda bem pequenas já manuseando meus livros de trabalho sem o menor pudor.

Em casa elas sempre tiveram acesso livre, assim como nas casas das avós. Tanto minha mãe quanto minha sogra tem pequenas bibliotecas de livros infantis, uma por gosto a outra por profissão, que estão completamente à disposição das netas. Nas três casas os livros ficam em estantes baixas que elas tem acesso e podem pegar e devolver quando querem. Alguns já são clássicos, lidos e relidos inúmeras vezes, outros ainda não foram descobertos.

Meu hábito de riscar e rabiscar os meus livros já gerou alguns probleminhas… as meninas quando eram menores faziam o mesmo, sem entender direito sua função, por simples imitação. Nos livros de casa isso nunca foi proibido, e confesso que até achava bonitinho elas me imitando… já as avós demoraram um pouco pra se acostumar com os rabiscos.

Apesar da presença cotidiana, aqui em casa não fazemos leitura antes de dormir. Acreditamos que livros e leitura merecem total atenção e por isso devem ser aproveitados quando estamos bem acordados e podemos acompanhar a história, os desenhos e complementos. Além disso, nossas leituras costumam provocar emoções, expectativas, curiosidades e outros sentimentos que me parecem incompatíveis com o momento de desligar os motores infantis e adormecer.

Atualmente muitos livros tem sido (re)descobertos e a relação das meninas com a escrita e a leitura está se transformando. A mais velha já quase alfabetizada e a mais nova começando a diferenciar as  letras, então alguns momentos mágicos acontecem em nossos dias.

Ainda existem tentativas de adivinhar as letras e palavras, situações de estranheza com o texto e até cansaço e desistência antes do fim da história, mas aí respiramos fundo, bebemos um gole d’água, às vezes, descansamos e recomeçamos a aventura da leitura. 

invista no seu melhor e liberte-se da culpa!

Não compartilho a ideia de que para ser uma boa mãe é necessário sentir culpa, e estar o tempo todo se cobrando, mesmo porque não tenho competência para isso e sou bem melhor em ter dúvidas do que culpas e cobranças.

Conheço mães que dizem sentir culpa por nunca terem feito um bolo para seus filhos e quando chegamos mais perto descobrimos que apesar de não cozinharem (porque não gostam, não sabem, não querem…) são ótimas parceiras de brincadeiras e peraltices. 

Outras dizem não saber costurar, nem pregar um botão, ou bordar e se culpam por isso quando vêem alguém que faz com maestria. Existem aquelas que não brincam, nem cozinham e muito menos costuram, em compensação contam histórias maravilhosas. 

Jogar videogame, pular corda, passear, cozinhar, andar de bicicleta, bordar, pintar, brincar de boneca e/ou de carrinho, ler, nadar, … tanto faz o que você prefira fazer com seus filhos, o importante é ter empenho, dedicação e diversão.

Descubra o que faz de melhor, o que é mais prazeroso para vocês e invista seu tempo, energia e maternidade nessas atividades.

mãe e… a escolha do nome

Dentre as tantas notícias do nascimento do filho de Kate Middleton e do Príncipe William, Duquesa e Duque de Cambridge, uma que pode chamar a atenção de muitos é o fato do bebê já ter mais de 24 horas de vida e ainda não ter um nome pra chamar de seu.

Atualmente os bebês tem recebido seus nomes cada vez mais cedo, muitos até antes de poderem ser vistos em qualquer exame de alta tecnologia. Não tenho certeza se isso é bom ou ruim, se facilita ou dificulta nossas vidas, o que sei é que tem sido assim.

Minhas duas filhas foram nomeadas durante a gestação, e devo confessar que até o nascimento havia (em mim!) a dúvida de se realmente seriam aqueles nomes que elas receberiam. Lembro, achando graça, que em muitos momentos imaginava que elas poderiam “não ter a cara” dos nomes definidos, que precisaríamos escolher outros após seus nascimentos e que a missão escolha do nome recomeçaria.

Não sei como foi com você, mas pra mim essa escolha foi uma das grandes dificuldades das duas gestações. Me angustiava saber que nós (o pai e eu) faríamos uma escolha tão importante por aquelas pessoas, que nós seríamos os responsáveis pela forma como elas se apresentariam oficialmente ao mundo.

Recordo, com carinho, da conversa com uma tia que me disse, na primeira gravidez, pra eu ouvir minha intuição e que através dela a bebê me informaria como gostaria de ser chamada. Sua fala e seu afeto foram tão importantes que até hoje não tenho certeza se foram elas que me informaram ou se fomos nós que escolhemos…

 

momentos inesquecíveis

Domingo levamos as meninas (minhas filhas!) para passear por São Paulo e incluímos alguns deslocamentos via metrô, elas nunca tinham usado esse tipo de transporte e ficaram encantadas.

A aventura começou quando expliquei que para esse passeio usaríamos um transporte diferente de todos os que elas já conheciam e que para embarcar precisaríamos descer pra “debaixo da terra”… muitas perguntas surgiram e a expectativa estava no ar.

Quando chegamos à estação a curiosidade parecia tomar conta daquelas crianças, seus olhos exploravam o ambiente, mil inquietações brotavam.

Compramos os bilhetes e neste momento apareceu uma estranheza… apenas a mais nova ainda é isenta de pagamento, várias questões, muitas risadas ao passar por baixo da catraca e a excitação crescia.

A espera pelo metrô foi marcante, quando ouvimos o barulho do trem chegando seus olhos brilharam e, assim como no embarque, podíamos ver o deslumbramento em seus rostos. 

O primeiro trecho que percorremos foi curto (apenas uma estação) e no momento do desembarque surgiu um chororô, não queriam descer e as queixas duraram até a saída da estação, quando combinamos que na volta faríamos um percurso mais longo.

A hora de voltar chegou… já sabiam como seria a entrada na estação, a passagem pela catraca, o embarque no trem… o que nem imaginavam é que dessa vez o vagão estaria mais cheio e que todos teríamos que ficar em pé.

Segura daqui, se apoia de lá, olhos curiosos, muitas risadas e o metrô seguindo seu caminho, para numa estação, vai até a outra, pessoas sobem outras descem e de repente um lugar vaga em nossa frente… olhamos pras meninas, indicamos para que sentem e as duas imediatamente sorriem e dizem que ficar em pé é mais divertido, mais emocionante.

Um casal bem jovem que está sentado ao nosso lado ri da situação e comenta entre si: “como é bom ser criança! Quero ver se quando forem maiores vão continuar achando isso…” eu sorrio para eles e penso que eles realmente têm razão, é muito bom ser criança e viver a liberdade de se divertir com as experiências do dia a dia, com as descobertas que fazemos a todos os instantes.

Neste momento me entrego (mais ainda!) a brincadeira e aproveitamos que o vagão esvaziou para ver o movimento do trem lá na frente e, também, lá atrás que serpenteia e nos surpreende com seus leves solavancos.

Desembarcamos e eu me sinto satisfeita e emocionada com mais essa vivência de minhas filhas e, principalmente, muito grata a elas por outra vez me lembrarem que, se aproveitarmos, as experiências cotidianas podem se tornar momentos inesquecíveis.

 

mãe e… parques temáticos

Dia desses fui a um parque temático, com minhas filhas, e mais uma vez tive a oportunidade de refletir a respeito de nós, seres humanos, de nossas relações, expectativas e…

Assim que chegamos ao parque postei numa rede social que lá estava e alguns comentários, somados às experiências vividas me inspiraram as seguintes dicas:

Só acompanhe crianças a um desses parques se realmente estiver com vontade e/ou no clima da diversão, quero dizer que se você acha esse tipo de passeio muito chato (e até insuportável!) não vá. Criança nenhuma merece ser punida pela companhia de um adulto mal humorado e sem paciência num empreitada dessas.

Você vai ter que enfrentar filas, isto é fato! Se estiver contrariado, a espera será muito mais custosa para todos que te acompanham e poderá gerar irritação e desentendimentos.

Falando em filas… é fundamental nossas crianças aprenderem a suportar a espera (por mais desagradável que possa ser!), então se seu objetivo é educar seus filhos, sobrinhos, afilhados, amigos, … incentive-os a enfrentar filas, ensine-os a se comportarem nesta situação, explique que é necessário aguardar a sua vez, que faz parte da organização e da diversão, que é importante para a segurança de todos, que…

Segurança é fundamental nesse tipo de passeio!

Siga rigorosamente as regras impostas pelo estabelecimento, a sua integridade só poderá ser garantida se as normas forem acatadas. Sei que muitas vezes pode parecer que não há nenhum risco, porém acredite que as regras tem razão e justificativa, obedeça e aumente as chances  de seu dia terminar bem.

É muito importante, também, conhecer e seguir a recomendação de idade e estarura de cada atividade.

Informe às crianças a respeito dos brinquedos e brincadeiras, isso facilitará o sucesso de seu passeio, explique do que se trata cada atividade antes de começar, assim você diminuirá as chances da criança se assustar e se arrepender de ter aceito o convite.

Lembre-se que para informar alguém de algo é necessário que antes você saiba a respeito e não invente, nem diga o que imagina, pois se sua explicação for incoerente e/ou muito diferente da realidade a cobrança será proporcionalmente maior. Se tiver dúvidas e/ou não souber diga isso a criança, certamente ela confiará mais em você.

A necessidade de hidratação e alimentação de crianças e adultos é muito diferente, não se esqueça disso! Assim como a tolerância ao cansaço e o ritmo também são diversos em cada ser.

Leve roupas sobressalentes… afinal crianças são sempre imprevisíveis e podem se sujar, molhar, melecar… onde e quando menos esperamos. E se levar uma bolsa grande, mochila, use o serviço de armário que costuma existir nesses estabelecimentos, isso te ajudará a ter um passeio mais leve e divertido.

Para alguns essas dicas podem parecer óbvias e desnecessárias, e para outros serão simples teorias impossíveis de praticar, seja qual for a sua impressão, aproveite!

escolas de princesas

Pela manhã,  soube da existência de várias “escolas de princesas” e ainda não sei bem o que penso a respeito, a expressão que melhor me define neste momento é: “estou chocada!”. Com o susto veio a dúvida: será que precisamos desse tipo de escola?

É fundamental ensinarmos para todas as crianças (e não só para as meninas!) solidariedade, ética, generosidade, bons modos, etiqueta, elegância, e… o que me assusta é vincular este aprendizado ao título de princesa.

Qual princesa é essa que prometem?  Será que é a dos contos que fica a espera de um príncipe que a salve das maldades da bruxa? Ou seria aquela que vive num castelo rodeada de súditos que estão à mercê de suas vontades?  Ou ainda, a que está o tempo todo produzida para a foto e disposta a atender as expectativas dos outros?

Seja qual for a princesa prometida, essa ideia me assusta, me preocupa e outras questões me instigam:

Só princesas devem receber esses ensinamentos? E aquelas meninas que não sonham em ser princesas… que não gostam de se maquiar… que preferem o shorts e o tênis ao invés dos longos vestidos… Não há espaço para essas meninas?

A questão é polêmica e certamente existem clientes para este tipo de serviço. Sei que muitas meninas se imaginam princesas e suas mães se acreditam rainhas e, principalmente, que devemos respeita-las.

O que me intriga é que, mais uma vez, nos esquecemos da diversidade, das diferenças individuais e criamos serviços exclusivos para algumas pessoas apenas.

Já imaginou se começam a surgir escolas para príncipes, outras para plebeias, umas para bruxas, outras para feiticeiros, também para fadas madrinhas, e para sapos, e …

Acredito que será muito mais divertido e efetivo se criarmos cada vez mais escolas que suportem receber todos os personagens dos contos juntos, ali, num mesmo ambiente, aprimorando suas preferências, respeitando suas diferenças e aproveitando suas complementariedades.

conta o conto…

… conta o conto que o primeiro cego tateia o lado do elefante e diz que ele é uma parede … o segundo tateia a ponta de sua presa e convicto afirma é uma espada … o terceiro, toca-lhe a tromba que mexe e garante que se assemelha a uma cobra … o quarto envolve a perna do elefante com os braços e afirma que se parece com uma árvore … o quinto toca-lhe a orelha e declara que o elefante é parecido com um leque … o sexto, agarra-lhe o rabo e diz que se parece com uma corda … todos se põe então a discutir sobre quem tem razão … todos e nenhum, pois uma parte cada um captou e … e a todos o todo escapou…

lembre-se de alguma(s) situação(ões) em que você agiu como um dos cegos e experimente trocar de lugar com os outros.

aproveite suas descobertas!

casa de las estrellas – el universo contado por los niños

Dias atrás ganhei um exemplar do livro “casa de las estrellas el universo contado por los niños”, estou me deliciando com essa obra fantástica e imagino que em breve escreverei mais a respeito. Enquanto isso te convido a ler a entrevista que o site Universia fez com o autor Javier Naranjo.

 O livro foi publicado pela primeira vez na Colômbia em 1999 e reeditado no início desse ano. Trata-se de um dicionário feito por crianças que apresenta 500 definições para 133 palavras, de A a Z. No dicionário, adulto é uma “pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro de si”, água é uma “transparência que se pode tomar”, um camponês “não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos” e o céu é “de onde sai o dia”.

O autor coletou as informações durante dez anos enquanto trabalhava como professor em diferentes escolas do estado de Antioquía, região rural da Colômbia e, como resultado, obteve um dicionário com verbetes ao mesmo tempo divertidos, lógicos e reais. Em entrevista à Universia, Javier Naranjo disse que não censurou ou alterou nenhuma palavra das definições dos seus alunos. “Apenas corrigi a pontuação e ortografia. O livro mantém a voz literal das crianças”, garantiu.

A seguir, leia a entrevista na íntegra com Javier Naranjo, autor do dicionário “Casa das estrelas: o Universo Contado pelas Crianças”. Para ele, as crianças revelam muitas coisas que os adultos já esqueceram. Confira: continue lendo »

crianças precisam de férias!!!!

Crianças precisam de férias!!!!

Afirmo isso com a mesma intensidade que garanto que crianças precisam de rotina.

A rotina é fundamental para nortear as crianças (e todos nós!) à respeito do tempo, dos limites, das regras e do mundo em que vivemos.

O período de férias tem a função de reorientar nossas vidas, serve para que aproveitemos o tempo sem nos preocuparmos com ele.

Para as crianças é importante brincar sem período pré-estabelecido, sair sem hora para voltar, alimentar-se sem pressa, atividades simples que, apesar de nosso esforço, não costumam dar tempo no dia a dia.

Muitas escolas, clubes, condomínios oferecem programas de férias e se propõe a criar espaços de brincadeiras e lazer, e por mais que sejam ofertas criativas e estimulantes todas têm o tempo, horários e rotina como limitadores.

Sei que muitas de nós tem pouca ou nenhuma alternativa a não ser contratar esse tipo de serviço e  ficar tranquila sabendo que nossos filhos estarão bem cuidados, enquanto damos conta de nossas rotinas, atividades, correrias…

Meu convite é para que pensemos em outras soluções, que possibilitem a nossos pequenos aproveitar o tempo sem limites.

Converse com suas amigas, faça revezamento de mães e crianças, peça ajuda… aproveite os recursos que você tem – mãe, avó, vizinha, comadre, amigos, funcionárias,… – sejam eles quais forem, e promova a seu filho a deliciosa experiência de fazer o que quiser pelo tempo que desejar, seguindo apenas as regras do brincar.

 

concordo que um é pouco

Depois de um dia cansativo, daqueles produtivos e bem proveitosos, com filhas, babá, escolas, trabalho, ginástica e tudo mais que uma mulher contemporânea tem direito, chego em casa para finalmente preparar e servir o jantar, colocar as crianças na cama e descansar.

Sento para o xixi da noite, aproveito para folhear uma revista,  me deparo com um artigo de Marcelo Tas (leia!) que começo a ler despretensiosamente, sinto meu coração sorrir e no fim uma pontada de inveja por ele ter escrito tão bem a respeito desse tema que tanto me instiga.

A importância do segundo filho e a necessidade do irmão na vida das famílias. Considero seu texto irretocável, concordamos em tantos pontos que me encanta saber que mais alguém (que nem conheço!) pensa como eu.

Irmãos são fundamentais para aprendermos que existe alguém além de nós mesmos e, principalmente, que o outro por mais parecido que possa ser é sempre muito diferente de nós.

Como mãe de duas, concordo que dá trabalho e afirmo (com certeza e experiência!) que vale a pena!