estranheza pós-parto

Quantas de nós já olhou para seu bebê, recém-nascido, ali enroladinho na coberta, dormindo depois de muito chorar e se perguntou: “o que foi que eu inventei?” ou como diria a mãe da minha sogra: “onde eu fui amarrar o meu burrico?”, ou então “será que não deveria ter esperado mais?”, ou ainda “por que comigo?”, ou…

Com frequência essas dúvidas vem acompanhadas de sentimentos controversos, cansaço, às vezes, dores, medo, curiosidade, preocupação, e… Chamo essa esquisitice que nos domina e que enche de angústias nossa experiência de mãe de estranheza pós parto.

É comum falarmos da depressão pós-parto, um quadro clínico muito sério e que requer cuidados profissionais apropriados, mas e a estranheza pós-parto? Por que não falamos dela?

Poderia apresentar vários motivos e justificativas, porém prefiro investir meu pensar em buscar formas de aproveitar essa estranheza como experiência de crescimento e não de sofrimento.

Se você está passando por isso hoje, ou esses dias, respeite seu momento, autentique sua experiência, cuide de você e converse mais… isso, fale sobre o que está vivendo, não se importe se parecer que está se lamentando, que está reclamando da vida, e se for o caso e a vontade, reclame!

Converse com outras mães, de filhos pequenos, médios ou grandes, não tenha vergonha!, tenho certeza que você vai encontrar outras tantas com experiências semelhantes e diversas das suas.

Questione sua mãe como foi quando você nasceu, pergunte a suas tias, vizinhas, avós, amigas, comadres, sogra… perceba que cada uma reage da sua forma e como o passar do tempo (a saudade?)  nos ajuda a elaborar as experiências. Tenho certeza que essas conversas vão te ajudar a (re)conhecer e viver melhor essa estranheza que nos domina.

é necessário aprender!

Assim que o bebê nasce, a mãe nasce também! Será?!?!?!

Dizem que toda mulher já vem ao mundo pronta para ser mãe, que basta a criança nascer, a função liga e a mãe aparece.

Pra muitas mulheres pode realmente ser assim, e pra outras tantas não é não!

Algumas afirmam que assim que olhamos para o nosso filho temos a certeza de que já o amamos e que já o conhecíamos desde sempre… acho essa ideia muito bonita e poética, porém sei que não é assim com todo mundo.

O filho que já conhecemos é aquele que idealizamos, que gestamos, que aguardamos, e não aquele ser pequeno, o real que chegou e está ali na nossa frente esperando pra mamar, ser trocado, ser ninado, que chora e nos (des)espera.

A ideia de que a mãe nasce imediatamente é tão arraigada que é comum nos culparmos por não ter acontecido conosco, nos cobrarmos os conhecimentos e sentimentos que ainda  não temos.

Acredito que para nos tornarmos mãe (efetivamente) precisamos conhecer nosso filho, nos apresentar a ele, saber como aquela pessoa que está ali a espera de cuidados reage, se comporta, qual o seu jeito e para isso é necessário tempo, trocas, convivência, intimidade e…

Assim como a maior parte das vivências e experiências da vida, é necessário aprender, inclusive a ser mãe, não aquela mãe ideal dos livros e das expectativas e sim a mãe real que cada uma de nós pode ser com cada um dos seus filhos.

inesperados da vida

Tenho o hábito (que alguns chamam de frescura) de tirar as etiquetas das roupas antes de usa-las e costumo fazer isso com as das minha filhas, também.

Dia desses estava nesta tarefa, quase automática, quando de repente me distrai e cortei um pedaço do tecido de uma peça novinha que minha pequena tinha escolhido no dia anterior, pensei imediatamente: putz! Que merda!, e em seguida já imaginei uma ou duas soluções para o ocorrido. 

O desafio então seria contar para a criança o que tinha acontecido com sua roupa nova… assim que ela chegou, eu disse: filha, a mamãe fez uma caca (pra não dizer cagada!), ela me olhou com atenção e perguntou: o que foi mãe? Tive que responder: a mamãe foi cortar a etiqueta e por acidente cortou um pedaço da roupa. E aí veio o momento mágico… ela me olhou com a maior calma do planeta, fez um carinho no meu braço e disse: fica calma, mãe! Não tem problema a Nanna resolve, ela costura e fica bom. E enquanto eu pensava: Yeeeesss!!!, ela começou a relembrar uma situação em que fez algo sem querer e a me dizer que às vezes nós fazemos coisas sem querer, depois disso me deu um beijo e saiu para brincar.

E eu fiquei ali encantada com a reação de minha pequena em seus quase 5 anos, lidando naturalmente com um acidente e compreendendo que isso pode acontecer com qualquer um de nós.

E então me dei conta de que se nossos filhos aprendem e se desenvolvem a partir dos exemplos que damos a eles, e que se sua reação foi essa, é sinal de que estou no caminho certo, pelo menos no que diz respeito a forma de reagir aos inesperados da vida.

mãe e… gravidez

Sempre que recebo a notícia de uma gravidez me lembro das minhas (é claro!) e a primeira reação costuma ser de felicidade e gratidão à vida pela oportunidade que está dando àquela(s) pessoa(s), a nós.

Sei que para muitas mulheres essa é uma notícia que causa um choque, um susto, por não estarem esperando, não terem planejado. Muitas dúvidas surgem, algumas escolhas têm que ser feitas, a vida precisa ser reorganizada.

E para quem planejou? Para quem desejou? Para quem escolheu deliberadamente?

Não sei como foi com você… comigo a sensação foi de fila de montanha russa, sabe como é? Aquela sensação de espera por algo que você não conhece, e sabe, de ouvir dizer, que vai ser emocionante, que vai mudar sua vida… Então, essa foi a sensação!

Quando planejamos um filho, acreditamos saber “onde estamos nos metendo”, assim como na montanha russa, acreditamos que será divertido, que vai valer a pena, e na maioria das vezes nem pensamos que será diferente do que imaginamos, que pode não ser tão bom assim, ou que pode causar um mal estar maior do que o esperado. 

Hoje tenho certeza que assim como a fila da montanha russa a gravidez é o período de espera por momentos de pura emoção, com subidas e decidas inesperadas, e que possibilita experiências surpreendentes, algumas vezes apavorantes, outras deliciosas, momentos que passam rápido demais e alguns que parecem nunca acabar; situações em que da vontade de pedir pra parar (não quero mais brincar disso!) mesmo sabendo que é impossível; outras ainda em que nos falta o ar,  e que nos põe em contato com o divino.

E assim como na montanha russa a experiência é individual, é única, e muitas de nós temos a “coragem” de entrar na fila mais de uma vez.

conversa de mãe ou discurso de gestora?

Na sexta-feira, dia 21 de junho, a presidente Dilma Rousseff fez um pronunciamento que pareceu muito mais uma conversa de mãe, com broncas e promessas, do que um discurso de gestora, que se responsabiliza por seus erros e acertos e convida o outro a ser corresponsável na busca por resultados.

 Sei que a presidente não é a única de nós mulheres a agir desta forma. É bastante comum, encontrarmos mulheres gestoras que ao se depararem com situações de tensão e pressão se perdem e confundem os papéis.

 Mãe pode se (des)culpar e (des)culpar o outro por seus atos, pode emocionalizar a conversa, pode se assustar com alguns atos de seu filho e até perguntar: onde foi que você aprendeu essas coisas?

 Quando digo que mãe pode, não estou dizendo que é certo ou errado fazer isso, só estou afirmando que essas ações cabem no papel de mãe, fazem parte desta função, podem sim ser aproveitadas.

 Uma gestora não pode! Gestora não pode emocionalizar, não pode culpar, não pode pessoalizar a conversa. Gestora deve sim, se responsabilizar e chamar o outro para a parceria, deve sim manter a calma e se necessário encerrar a discussão e recomeçar mais tarde, deve saber o que é parte de seu papel e qual a expectativa do outro e do time em relação a suas ações.

Gestora tem que saber que seus liderados são diversos entre si, aprendem de formas diferentes mundo afora, que cada um reage de um modo e que cabe sim ao seu papel a coordenação das diferenças pessoais em busca de resultados conjuntos e de um time coeso e corresponsável. 

Não digo que, no dia a dia, seja fácil diferenciar os papéis, afirmo, sim, que para tornarmos a vida mais simples e possível, devemos ficar atentas e aproveitar o melhor de nós em cada uma das funções. 

ser mãe: amar, gratificar e frustrar…

Ser mãe é umas das tarefas mais desafiadoras da vida de algumas mulheres. É uma oportunidade única de amadurecimento e crescimento pessoal, afinal ser mãe é ser corresponsável pelo desenvolvimento de um ser humano.

Não importa se é mãe de barriga ou de coração, o que a define é a escolha, a dedicação e as atitudes cuidadosas oferecidas ao filho.

Uma das principais funções de uma mãe é nutrir seu filho (não apenas com alimentos!) ela deve sustenta-lo biológica e psicologicamente. E isso só é possível quando há entrega na relação, quando as atitudes são espontâneas, quando a mãe não está apenas preocupada em saciar a fome de seu filho e sim em preencher sua vida de amor e afeto.

Dizem que o amor materno é incondicional, portanto não devem existir condições para que haja o amor. No entanto, é importante lembrar que não é porque ama incondicionalmente que a mãe possa deixar de ter noção de limites e das regras que permeiam o bem estar social e esquecer de ensiná-las ao filho.

No amor materno estão incluídos o sim e o não, o certo e o errado, as gratificações e as frustrações.

Saber a hora de gratificar e/ou frustrar um filho é uma das grandes dificuldades das mães, e a melhor maneira de fazê-lo é usando o bom senso, seguindo a intuição e sendo fiel a seus sentimentos.

Mãe que gratifica a todo momento, sem discernimento, dificulta a humanização de seus filhos e com isso acaba criando pessoas que acreditam que terão tudo que quiserem e no momento que desejarem pela vida afora. Já a mãe que suporta frustrar, desenvolve em seus filhos a habilidade de tolerar o adiamento da satisfação de seus desejos.

Pode-se afirmar, então, que a boa mãe é aquela que é capaz de dizer sim ou não na hora certa, e sabe que a hora certa vai depender da situação que está vivendo e dos sentimentos por ela provocados.

acredito na diversidade!

Gosto muito de pensar em nós humanos como bolinhas numa piscina gigante em que as cores se misturam e formam um belo conjunto colorido, no qual o diferente é complemento de uma obra maior.

 

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Acredito que a diversidade é fundamental para nosso desenvolvimento.  Tanto faz se a diferença é de ideias, interesses, credos, raças, sexual, o importante é convivermos e aprendermos com o diferente.

Crianças precisam conhecer a diversidade para respeita-la. Alguém só é capaz de respeitar e suportar a diferença se isso fizer parte de sua vida e de suas relações.

 

 

indignação e manifestações

Estamos vivendo um momento marcante na história do nosso país, e como tudo isso vai repercutir no futuro só saberemos lá.

E hoje como a indignação e as manifestações estão presentes em nossas vidas?

Como você está lidando com tudo isso na sua casa? Na sua rotina?

Já contou para seus filhos o que está acontecendo no nosso Brasil?

Aqui em casa o assunto veio à tona a partir de uma vivência. Minha filha mais velha iria para São Paulo visitar a Cidade do Livro e o colégio cancelou a atividade. A justificativa foi que, por causa das manifestações, seria imprudente expor o grupo de crianças de 06 anos aos possíveis riscos, o que faz todo sentido, pelo menos pra mim.

A professora explicou para a turma o que está acontecendo, falou a respeito dos oportunistas que aproveitam a situação para vandalizar e, também, do risco de ficarem “presos” no trânsito (o que para crianças de 6 anos, que vivem no interior, é absurdamente assustador!).

Minha menina ficou frustrada com o cancelamento, afinal esperava tal atividade, porém parece ter compreendido a situação e percebido que a estratégia do colégio é de cuidado e proteção.

Antes disso, não havíamos falado a respeito do tema diretamente com as meninas, elas não acompanham noticiários e provavelmente nem sabiam que esse tipo de manifestação existe, afinal têm quase 5 e 6 anos de idade.

E você, já falou com seus filhos sobre o tema?

Se sim, como foi?

Se não,  já pensou a respeito?

Se seus filhos são pequenos para esse tipo de conversa, como imagina que vai contar no futuro?

 

(ecos) tipos de palpites, pitacos e conselhos

Os três primeiros comentários recebidos em palpites, pitacos e conselhos” me inspiraram a pensar mais a respeito e curiosamente imaginei uma tipologia. 

Eis algumas ideias que surgiram:

Palpite cheio de boas intenções – surge com a melhor das intenções e nem sempre termina bem;

Pitaco tapa na cara – é dado com tanta violência que parece mais uma agressão do que um palpite;

Conselho carinhoso – é proferido com afeto e gentileza, cuida de quem irá recebe-lo e pretende não ofender ou causar mal-estar;

Palpite justificado – aquele que inclui a frase: “só estou te dizendo isso porque…”

Pitaco científico – recheado de informações científicas que muitas vezes não interessam e nem são compreendidas por quem as está recebendo;

Conselho desejado – surge a partir do pedido do outro e por isso, na maioria das vezes, é ouvido e aproveitado com carinho e atenção;

Palpite desculpado – começa com “desculpa falar, mas…” e nem sempre termina bem;

Pitaco google ou spam – cheio de informações colhidas das diferentes fontes digitais e que na maioria das vezes não tem responsabilidade assumida;

Conselho casos de família – traz em si informações e compartilha histórias de família;

Palpite profecia – parece mais uma condenação do que uma sugestão;

Pitaco suicida – aquele que quando a pessoa percebe já “se jogou” de sua boca;

Conselho universal – repleto de histórias universais e atemporais;

Palpite “deveria ser assim…” – fala do mundo ideal e passa longe da vida real;

Pitaco venenoso – aquele do invejoso que é deliberadamente maldoso;

Conselho “no meu tempo…” – dependendo do afeto e das pessoas envolvidas será produtivo ou destrutivo;

Palpite causo da vizinha ou cena de novela – vem recheado de acontecimentos novelescos e muitas vezes inverossímeis;

Pitaco “dai-me paciência!”- aquele que ao ouvir você começa a pedir paciência e contar até dez… ou mil;

Palpite “se comigo deu certo…” – é perigoso quando vem de alguém que esquece de considerar que as pessoas são diferentes e as relações bastante diversas.

Imagino que existam muitos outros tipos e se você tiver alguma sugestão, não se acanhe, palpite sem medo.

Ah! vale lembrar que palpites, pitacos e conselhos são só sugestões e que sempre aproveito da forma como preferir e até jogo fora se achar melhor. E que o fato de saber que posso ignorar o que foi dito, não significa que não me irrite quando alguém chega dizendo, sem mais nem menos, isso ou aquilo a respeito das minhas escolhas e da minha vida.

 

palpites, pitacos e conselhos

 Sou tia de um bebê que nasceu há poucos dias, meu sobrinho, o primeiro, acabou de chegar e já me dei conta de como é desafiante ser tia.

Costumamos pensar e falar da parte divertida, aquela de levar pra passear, fazer bagunça, brincar, e esquecemos dos palpites e dos comentários que só as tias são capazes de verbalizar.

Lembro-me com certo rancor do momento em que uma tia ao conhecer minha primeira filha, com 4 ou 5 dias de vida, antes de dizer qualquer amenidade soltou um : “noooossa! Como essa criança tá amarela!” Até hoje imagino a minha cara… lembro da sensação, da vontade de esconder minha menina de protege-la daquela pessoa que a estava mal dizendo. Sei que sua intenção não era ruim, que imaginava que fazendo aquilo estava protegendo a criança e a mãe inexperiente, ela inclusive se propôs a dar banho de picão branco na minha bebê e é obvio que não deixei!!!

Dias depois outra tia se angustiou ao ouvir a bebê chorar e dizia que só podia ser fome, que eu deveria coloca-la para mamar e quando eu argumentava que a pequena acabará de fazer uma boa mamada e que acreditava ser melhor tentar outras alternativas, me olhava com cara de espanto, beirando o desespero.

Agora a tia sou eu, e preciso confessar que às vezes os palpites chegam até a ponta da língua… na maioria das vezes consigo manter a boca fechada, mas não sei até quando vou resistir.

E você, quais são suas experiências com pitacos, palpites e conselhos?